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O BRASIL ESTÁ NA MIRA DO IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE

Para executar seu lema America First (Estados Unidos em primeiro lugar), Trump anunciou no final de 2025 a Nova Doutrina de Segurança Nacional. Em síntese, ela retoma abertamente a Doutrina Monroe, baseada no princípio de “a América para os americanos”, formulada há 200 anos. Para o imperialismo estadunidense, ele só contornará sua decadência e manterá alguma capacidade de projetar seu poder e influência sobre o mundo, se todo o continente americano se tornar uma reserva estratégica sob seu absoluto controle.

O recente ataque à Venezuela, com os sequestros do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, bem como as ameaças de tomar a Groenlândia da Dinamarca à força, são os atos inaugurais da Nova Doutrina de Segurança Nacional de Trump. O objetivo central é o de controlar fontes de matéria-prima, como água e petróleo, além de um vasto mercado consumidor e de força de trabalho a ser explorada. Além de afastar as ameaças representadas por países como a China, principal parceiro comercial dos países da América do Sul, exceto Colômbia e Equador.

Nesse cenário, se o ataque inicial de Trump foi contra a Venezuela, o Brasil é o alvo estratégico da ameaça imperialista. Possuímos imensas reservas de matéria-prima clássicas como ferro e bauxita. Mas, também, minerais cobiçados como cobalto, lítio e nióbio, usados na produção de baterias elétricas. Além disso, possuímos a maior reserva de água doce do mundo, 12% do total. Isso nos coloca na mira dos grandes data-centers, cujo funcionamento exige uma alta demanda de água para resfriar seus servidores. E em termos de mercado de consumo somos o 9º maior do mundo e o 7º país mais populoso.

Para o imperialismo estadunidense, controlar o Brasil é fundamental em sua estratégia de dominação continental. A execução dessa estratégia encontra hoje condições históricas muito mais favoráveis, porque a classe dominante brasileira, é o maior obstáculo e principal adversária do povo e do país. Como classe, a burguesia brasileira não tem qualquer projeto de desenvolvimento nacional. Sua lógica é a de se associar de modo subordinado ao imperialismo. Nosso papel na economia mundial é a de exportar produtos agrominerais e de ser espaço de valorização do capital financeiro mundial. O patrimônio nacional, erguido com o esforço da classe trabalhadora, é dilapidado e entregue para ser explorado pelo capital financeiro. A produção real é substituída por uma lógica de acumulação financeirizada que produz bolhas especulativas sem lastro na economia real.

Essa posição subordinada é resultado de uma burguesia antinacional. Alguns dos seus operadores políticos, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), trabalharam impunemente contra o próprio Brasil, ao conseguirem de Trump a aplicação de um tarifaço de 50% sobre produtos exportados aos Estados Unidos. Seu irmão, senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), pediu a Trump que atacasse embarcações brasileiras em nossa costa. Com o sequestro de Maduro, deputados bolsonaristas como Nikolas Ferreira (PL/MG), sugeriram que o mesmo deveria ser feito com Lula. Nada aconteceu a essa gente! A traição nacional não recebe a necessária condenação e é cada vez mais normalizada.

Em nome da liberdade de expressão, porta-vozes da classe dominante atacam abertamente a integridade territorial brasileira. Jorginho Mello, governador de Santa Catarina, declarou em evento no ano passado que, “daqui a pouco, se o negócio não funcionar muito bem lá para cima, nós passamos uma trena para o lá de cá, né? E fazemos o Sul é nosso país, né?”. Outros, como o deputado federal Paulo Bilynskjy (PL/SP), defendeu a divisão territorial do país, formando o Brasil do Norte, segundo ele esquerdista e petista, e o Brasil do Sul, direitista e bolsonarista.

O Brasil vive uma grave ameaça existencial. O tecido social está esgarçado. A luta de classe precisa caminhar pari passu à luta pela completa soberania nacional. Em suma, para sobrevivermos como povo e país, torna-se urgente uma revolução popular que mude o caráter de classe do Estado e o regime de propriedade dos grandes meios de produção.

Liga Comunista Brasileira – LCB

20 de janeiro de 2026