O CAPITAL FINANCEIRO É A MAIOR ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA DO BRASIL
O escândalo do Banco Master tem potencial para abalar os alicerces da República burguesa. Mostrando habilidade incomum em navegar nas entranhas do sistema político, Daniel Vorcaro, dono do Master, criou uma rede de conexões baseada na velha lógica do toma-lá-dá-cá. Elas envolvem, por exemplo, o financiamento de campanhas eleitorais. Em 2022, Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, foi o maior financiador privado das candidaturas de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, para quem doou R$ 2 milhões, e para a candidatura de Bolsonaro à presidência, com mais R$ 3 milhões.
Outra parte das conexões de Vorcaro e do Master foram feitas com Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do PP, e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Ambos abriram as portas da cúpula do sistema político a Vorcaro e foram os responsáveis por apresentá-lo ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Para salvar o Master, a Câmara Legislativa do DF aprovou projeto de lei apresentado por Ibaneis, que autorizou o Banco de Brasília (BRB) a adquirir R$ 12,2 bilhões de carteiras de crédito do Master. Porém, descobriu-se que R$ 5 bilhões desse total não possuem qualquer liquidez. Mais uma vez o Estado é colocado para salvar o capital.
Quando o Banco Central decidiu liquidar o Master, Vorcaro ainda mostrou a força de suas conexões políticas. Decisão do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, questionou a liquidação. O ministro em questão foi deputado federal por Roraima entre 2011 e 2023. Membro do Centrão, ao não ser reeleito em 2022 ganhou como prêmio ser eleito pelo Congresso para ocupar o cargo de ministro do TCU com apoio decisivo de Artur Lira (PP/AL).
Mas as conexões não param por aí. O ministro do STF, Dias Toffoli, retirou o caso da primeira instância e o puxou para si. Desde então tem colocado dificultado o trabalho investigativo da Polícia Federal. Determinou ainda a apreensão pelo STF de todo o material apreendido pela PF, como o celular de Daniel Vorcaro e os documentos apreendidos nas diferentes fases da operação. Ao receber críticas e sofrer pressões pela decisão inusitada, Toffoli recuou e transferiu o poder de investigação novamente para a PF, mas escolheu quais serão os peritos autorizados a fazer a análises dos dados.
Toffoli quer abafar as investigações não só por envolver próceres do sistema político, mas também por razões pessoais. Familiares do ministro, dois irmãos e um primo, foram donos de um resort de luxo no Paraná. Para a construção do empreendimento, os parentes de Toffoli negociaram a participação do fundo de investimento REAG, cujo único cotista é Fabiano Zettel, aquele que é cunhado de Vorcaro e que doou dinheiro para as campanhas de Tarcísio e Bolsonaro.
Descobriu-se, agora, que o executivo responsável por fazer a ponte entre Zettel e a família de Toffoli é Silvano Gersztel, investigado pela PF por participar de fundos de investimentos criados pela REAG, suspeitos de lavar dinheiro do PCC.
Mas todo esse rolo não termina aí. Zettel é pastor evangélico da Igreja Batista da Lagoinha, a mesma do pastor André Valadão. Existem suspeitas de utilização da Igreja para lavar dinheiro das operações do Master.
Essa trama de interesses envolvendo líderes políticos, pastores evangélicos, facções criminosas e banqueiros mostra como o capital financeiro é hoje a maior organização criminosa do Brasil. O caso do Master é expressão da nova dinâmica de acumulação capitalista no Brasil, baseado em atividades financeiro-especulativas, muito parecidas com esquemas de pirâmide financeira.
Também fica mais uma vez demonstrado como o sistema político brasileiro funciona num circuito fechado. E as entranhas do caso revelam de forma cabal a necessidade urgente de uma revolução popular que mude o caráter de classe do Estado, hoje apropriado pela burguesia, bem como o regime de propriedade dos grandes meios de produção. E isso passa, de imediato, por exigir a estatização de todo o sistema financeiro, colocando-o a serviço dos interesses do povo brasileiro.
Liga Comunista Brasileira – LCB
27 de janeiro de 2026