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VIVA CAMILO TORRES!

No final de janeiro, o Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia, anunciou que foram encontrados os restos mortais do padre e guerrilheiro Camilo Torres. Nascido em Bogotá, em 3 de fevereiro de 1929, no seio de uma família da alta classe média colombiana, Camilo Torres optou pelo sacerdócio. Em 1954 foi ordenado padre e logo a seguir foi enviado a Bélgica para estudar sociologia. Tomou contato com os debates intelectuais e políticos da época, relacionou-se com o movimento sindical europeu, além de conhecer em Paris grupos ligados à resistência argelina.

Ao voltar no final da década de 1950, empenhou-se com outros intelectuais na fundação da Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional da Colômbia. E colocou seu sacerdócio à serviço dos setores mais explorados do seu povo. Camilo Torres foi um precursor da Teologia da Libertação. Sua tese do “amor eficaz” foi a base de sua doutrina teológico-política. Se o amor ao próximo é a principal característica do cristianismo, a eficácia desse amor deve se refletir em uma obra de transformação revolucionária das estruturas de uma sociedade.

Um reflexo dessa concepção foi o de aproximar o cristianismo do marxismo e vice-versa. Orientado por essa concepção, em 1964 foi o principal fundador da Frente Unida do Povo, uma articulação de movimentos e organizações de esquerda, cuja plataforma de luta buscava se contrapor ao pacto oligárquico que dominava a política colombiana. Nesse esforço organizativo, Camilo Torres se aproximou dos comunistas. Aos que condenavam essa aproximação, Camilo Torres respondia o seguinte: “Por que lutarmos os católicos contra os comunistas, com os quais podemos dizer que temos mais antagonismo a respeito de se a alma é mortal, em lugar de pôr nos de acordo que a fome, sim é mortal?”.

Perseguido pela hierarquia católica e com os espaços de atuação política cada vez mais limitados pela perseguição da oligarquia, Camilo Torres anuncia, em 7 de janeiro de 1966, sua adesão ao Exército de Libertação Nacional (ELN). Morreu em seu primeiro combate, em 15 de fevereiro de 1966, no departamento de Santander. Foi enterrado pelo exército colombiano em local ocultado por décadas, para impedir que seu túmulo se transformasse em local de veneração dos pobres.

A descoberta de seus restos mortais é um momento importante não só para o povo colombiano, mas para todos os povos da América Latina. Camilo Torres é uma das grandes personalidades de Nuestra América, que merece todas as honras e glórias por ter se colocado ao lado do povo na luta contra a exploração e a opressão.

Para maior compreensão de sua obra indicamos o livro Cristianismo e Revolução, publicado pela editora Alma Revolucionária. Trata-se de uma coletânea de textos do próprio Camilo Torres, que nos permite um conhecimento de seu pensamento e sua prática revolucionária.

Também indicamos o documentário “Camilo, mais que um padre guerrilheiro”, dirigido por Davi Guevara e produzido pela Periferia Prensa Alternativa e AgitProp, ambos projetos de comunicação popular da Colômbia – https://www.youtube.com/watch?v=2sMQRoS57tY

Liga Comunista Brasileira – LCB

11 de fevereiro de 2026