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As Pessoas DEF's Serão Úteis na Revolução Socialista?

Por Cris Mendes

Dia desses me deparei, em poucas horas, com três arquivos de grupos diferentes que traziam pautas de “ações coletivas” e estruturação de possíveis políticas públicas. O que me chamou a atenção nos três foi que, em nenhum deles, a Pessoa DEF e suas necessidades de acessibilidade, acesso e inclusão foram colocadas como possíveis discussões para essas ações.

Na verdade, esse grupo sequer foi mencionado em nenhum dos documentos.

Isso trouxe de volta uma reflexão que tenho ruminado há tempos, mais precisamente depois que me radicalizei e passei a conhecer melhor o “universo comunista”, identificando-me como tal.

Fiquei pensando em como a esquerda cirandeira, da qual fiz parte, faz mais barulho do que ações efetivas e dá “preferência” a outros grupos minorizados (causa racial, mulheres, LGBTQIAPN+) e escancara as portas para que aproveitadores da direita se apropriem da pauta DEF, com alto cunho religioso, sendo um dos fatores que impedem a mobilização unificada desse grupo.

Não que as outras lutas não sejam igualmente importantes, mas, como sempre digo, dentre todos os grupos minorizados, a causa DEF é a última na fila do pão, e temos que nos dar por satisfeitos quando somos lembrados.

Claro que nesse processo estamos todos ignorando a interseccionalidade da coisa.

Avançando na reflexão, comecei a “olhar para dentro”, para o fato de que os marxistas têm no horizonte a Luta de Classes como prioridade, às vezes se esquecendo de que entre o ponto atual e o horizonte existem mil coisas acontecendo entre pessoas que ainda não adquiriram consciência sobre a classe a que pertencem.

Obviamente não estou questionando a necessidade de cada vez mais termos consciência de que somente a Luta de Classes nos dará as condições materiais e sociais que tanto almejamos.

O meu ponto unicamente é: como despertar essa consciência em grupos que antes eram ainda mais invisibilizados e que, somente a partir de suas necessidades específicas, entenderam que deveriam se juntar de alguma forma para ter garantias de direitos?

Como nós, comunistas, vamos ter essas pessoas como aliadas se não estamos próximos delas? Como ganhar sua confiança em relação a Luta de Classes e a Revolução se menosprezamos suas necessidades mais imediatas?

Começo a considerar que a esquerda (me desculpem por colocar todos no mesmo balaio) não considera as Pessoas DEF’s para a Revolução, pois, assim como no capitalismo, somos considerados máquinas quebradas que precisam ser descartadas, já que a produção não pode parar, e, como “temos defeitos”, não seremos úteis na Revolução.

Essas são apenas palavras de alguém que ainda precisa estudar muito sobre Marx, Lenin, Stalin e tudo mais, por isso, peço desculpas pelo desabafo, me colocando como aprendiz e propondo debates sobre o tema.

Liga Comunista Brasileira – LCB

31 de março de 2026