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ENFRENTAR AS AMEAÇAS DE RECOLONIZAÇÃO

A eleição presidencial de 2026 se reveste de grande importância para o futuro do país e do nosso povo. O governo Trump eleva o grau de agressividade do imperialismo estadunidense como forma de conter seu declínio. E não faz questão nenhuma de esconder suas intenções de recolonizar o continente americano.

Anunciou no ano passado a retomada da Doutrina Monroe, rebatizada por ele, em sua megalomania e narcisismo característicos, de Doutrina Donroe. Em agosto de 2025, impôs um bloqueio naval à Venezuela, com a desculpa esfarrapada de combater cartéis de drogas comandados pelo presidente Nicolás Maduro. Em 3 de janeiro, invadiu o país e sequestrou Maduro e a deputada Cilia Flores. Nessa agressão foram mortos 32 cubanos da guarda presidencial de Maduro e cerca de 100 soldados venezuelanos.

Apoiado nesse sucesso momentâneo, agora ameaça invadir Cuba para destruir sua revolução e entregá-la novamente aos grupos mafiosos que dirigiam o país e fugiram para Miami. Para alcançar esse objetivo, elevou a intensidade do bloqueio econômico imposto à Ilha desde 1962 pela administração Kennedy. E decidiu aplicar sanções comerciais a quem vender petróleo a Cuba, com a intenção de produzir uma crise humanitária de gravíssimas proporções. Imaginam com isso criar um caos interno e ver facilitada uma invasão da Ilha.

O Brasil é o alvo principal desse projeto de recolonização. Nossas imensas riquezas naturais são objeto de cobiça dos Estados Unidos. E no contexto de desenvolvimento de tecnologias avançadas na área de inteligência artificial, o controle político do Brasil é fundamental por causa de nossas reservas de minerais raros e pela grande disponibilidade de água requerida para o funcionamento dos data centers.

Em toda a sua história, o imperialismo só consegue dominar territórios se contar com apoio de forças político-sociais internas. O Brasil não é diferente. Existe em nosso país facções burguesas com muitos vínculos econômicos e ideológicos com os Estados Unidos. Atuando a serviço dos interesses gringos, defendem abertamente uma política que nos colocaria em uma condição neocolonial.

O principal expoente burguês dessa facção é o bolsonarismo, mas se espraia para o conjunto da burguesia brasileira. Como declarou Flávio Bolsonaro, o candidato a presidente dessa facção, o projeto político desse grupo é colocar o Brasil na condição de mero apêndice dos Estados Unidos. E num espetáculo de viralatismo inigualável declarou abertamente, em evento de organizações fascistas no último final de semana, sua intenção de entregar aos Estados Unidos todas as reservas de terras raras de nosso país. A intenção clara desse anúncio é a de trazer os Estados Unidos para dentro da eleição brasileira, buscando influenciar o resultado eleitoral a seu favor.

Por isso, insistimos na importância da eleição de 2026 para o futuro do povo brasileiro. A vitória do campo bolsonarista pavimentaria um projeto abertamente de regressão neocolonial e de avanço interno do fascismo em nosso país. Derrotar a ameaça desse projeto é uma tarefa histórica incontornável. Porém, isso exigirá um programa que defenda a soberania nacional e enfrente os interesses do capital financeiro, único meio de melhorar a vida do povo. Enquanto prevalecer uma política de conciliação rebaixada, a ameaça fascista continuará presente, alimentando-se das frustrações e decepções de um reformismo sem reformas reais.

Liga Comunista Brasileira – LCB

1 de abril de 2026