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RETOMAR A LUTA PELA SOBERANIA NACIONAL

No atual contexto, de evidente crise da hegemonia imperialista estadunidense, o governo Donald Trump responde com uma política abertamente agressiva e neocolonial. Formas de dominação mais insinuantes, pela via do soft power, são substituídas por uma retórica e ações mais contundentes. A política imperialista é defendida sem meias palavras, impondo-se aos países da periferia do sistema um estado de exceção permanente.

Se quiser manter sua influência global, o imperialismo estadunidense precisa assegurar o controle da América Latina como base para sua projeção mundial. Para tanto, a reafirmação da antiga estratégia, de “América para os americanos”, exposta na Doutrina Monroe no começo do século XIX, é retomada com virulência. Expressando a personalidade narcísica do atual comandante da Casa Branca, agora se chama Doutrina Donroe. Mas se a Doutrina Monroe queria barrar a influência europeia nas Américas, a Doutrina Donroe tem como seu adversário a China.

Na luta dos Estados Unidos para reverter sua crise hegemônica, o Brasil é uma peça-chave. Somos o maior país da América Latina em dimensões territoriais, temos a maior população e a natureza nos dotou de grandes riquezas naturais cobiçadas pelo imperialismo. Temos importante projeção regional, com a luta de classe em nosso país repercutindo na luta de classe das nações do entorno.

Por todas essas razões, a eleição presidencial de 2026 assume uma importância decisiva para o futuro do Brasil. Paira sobre o nosso país uma grave ameaça de recolonização. Facções da burguesia brasileira, galvanizadas pelo bolsonarismo, defendem uma submissão completa do país aos interesses estadunidenses. Em congresso de líderes políticos fascistas, nos Estados Unidos, o candidato Flávio Bolsonaro declarou, caso eleito presidente, que colocará toda a riqueza das terras raras brasileiras a serviço dos Estados Unidos em sua disputa concorrencial com a China.

Essa manifestação de subserviência extrema reflete a política dessas facções, para quem a associação subordinada com o imperialismo estadunidense é um dado inquestionável. A instituição da presidência da República seria transformada em uma espécie de autoridade delegada pelos presidentes dos Estados Unidos.

As forças majoritárias da esquerda brasileira, nos seus últimos 50 anos, secundarizaram a questão nacional. Parida nas lutas contra a ditadura, e sofrendo com o impacto da dissolução do campo socialista, a questão democrática ocupou todas as suas preocupações. Teve até quem definiu a democracia como dotada de valor universal. Ela também embarcou na canoa furada da globalização, ignorando a permanência do imperialismo.

A luta pela soberania nacional deve ser resgatada com urgência pela esquerda brasileira. É impossível apresentar um programa político de superação das nossas contradições sociais, sem propormos um programa político capaz de resgatar a soberania nacional em todas as suas dimensões. Ambas as lutas, no contexto brasileiro, entram em contradição direta com o capitalismo. Associada em diferentes dimensões ao imperialismo, a classe dominante brasileira é o maior obstáculo à conquista de um país soberano e de uma superação da miséria e da pobreza do nosso povo. É urgente nos livrarmos da nossa classe dominante para não sucumbirmos a um projeto de recolonização do Brasil.

Para isso, será preciso construir instrumentos políticos capazes de unificar diferentes forças e personalidades em torno de um programa anti-imperialista como pressuposto das transformações econômicas, políticas e sociais revolucionárias em nosso país.

Liga Comunista Brasileira – LCB

8 de abril de 2026