Menu fechado

A LIBERTAÇÃO DOS POVOS PASSA PELA VITÓRIA DO IRÃ

Após 40 dias de conflito, o Irã alcançou importante vitória militar contra os Estados Unidos e Israel. Não podemos considera-la como uma vitória definitiva. Seria muita presunção e imprudência caracterizá-la como tal.

Porém, é inegável como as capacidades militares iranianas, principalmente seu sistema de mísseis, aplicou golpes poderosos contra o imperialismo estadunidense e seu enclave colonialista na região. Várias bases militares gringas em países do Oriente Médio foram atingidas pelas ondas de ataque do Irã. Algumas delas foram inutilizadas completamente.

Israel não escapou da resposta iraniana. Alvos militares e de inteligência do Estado sionista foram atingidos em Tel-Aviv. Muitos bairros da cidade estão destruídos. A extensão dos danos ainda é pouco dimensionada, por causa da censura militar, com ameaça de prisão a quem compartilhar imagens que exibam os estragos nas áreas atingidas. Os ataques do Irã alcançaram inclusive a instalação nuclear de Dimona.

Além dos ataques com mísseis, o Irã ainda tomou medida mais ousada. O estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo vendido pelos países do Golfo Pérsico, foi fechado pela marinha da Guarda Revolucionária. Só passam pelo estreito navios de países não-hostis e quem aceitar negociar o direito de passagem em yuan, a moeda chinesa. O resultado foi o aumento do preço do barril de petróleo, já cotado em mais de 100 dólares o barril. Analistas alertam para um cenário de estagflação da economia mundial, ou seja, estagnação com inflação alta.

Trump e o imperialismo estadunidense se meteram em uma enrascada, da qual encontram dificuldades para encontrar uma saída honrosa. Menosprezaram o poder militar do Irã e a capacidade do seu povo em absorver os ataques estadunidenses. Calcula-se em mais de 3 mil os iranianos mortos nos bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o país.

Incapaz de apresentar qualquer vitória significativa no campo de batalha, resta a Trump espalhar mentiras sobre suposta destruição da capacidade militar do Irã e arrotar ameaças via redes sociais. Em uma delas anunciou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, caso o Irã não aceitasse um cessar-fogo e mantivesse o estreito de Ormuz fechado. A grave ameaça deixou os povos do mundo em sobressalto, pois ficou implícito o uso de armas nucleares, caso o governo Trump conclua ser esta a única forma de derrotar completamente o povo iraniano.

Mas essa ameaça talvez não tenha passado de encenação. Horas antes do prazo previsto em que apagaria a civilização iraniana do mapa, Trump anunciou um cessar-fogo de duas semanas. Sabe-se, hoje, que o cessar-fogo vinha sendo costurado há dias pelo Paquistão e a China. Trump pode ter lançado mais uma bravata e depois anunciar sua disposição de negociar. Tudo para encobrir a derrota militar sofrida.

A proposta de cessar-fogo se baseou em 10 pontos exigidos pelo Irã, como garantias formais de não-agressão, retirada de todas as tropas estadunidenses da região, direito do Irã em continuar a desenvolver seu programa nuclear, fim das sanções e controle do estreito de Ormuz. Tudo indica que a aceitação de cessar-fogo por parte dos Estados Unidos se deveu a uma necessidade de fazer um recuo tático para reorganizar suas tropas. Impérios não negociam sua rendição, a não ser em condições excepcionais, como foi na guerra dos Estados Unidos contra o Vietnã.

Uma derrota dos Estados Unidos e de Israel nessa guerra abre uma conjuntura mais favorável à luta de classe a nível mundial. Desarticula-se, na eventualidade dessa derrota, o principal eixo de sustentação das forças político-ideológicas mais retrógradas do mundo. Por isso não se deve descartar a hipótese de pressões internas do próprio campo imperialista, para evitarem um desastre pior, tentarem se livrar de Trump via assassinato, ou por uma doença misteriosa, ou mesmo por um impeachment.

Nesse momento, cabe aos povos do mundo que lutam pelo progresso social e pela derrota do imperialismo, apoiarem a República do Irã e o povo iraniano.

Liga Comunista Brasileira – LCB

15 de abril de 2026