DEFENDER A SOBERANIA NACIONAL CONTRA AS AMEAÇAS DO IMPERIALISMO
Em 28 de maio, dois dias após reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, uma ordem executiva assinada por Marco Rubio, Secretário de Estado dos Estados Unidos, designou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como Organizações Terroristas Estrangeiras.
Essa ordem executiva passa longe de qualquer interesse em combater o terrorismo. A finalidade é a de criar motivos para uma intervenção direta nos assuntos internos brasileiros. Faz parte da estratégia do imperialismo, divulgada em documento oficial da Casa Branca em dezembro de 2025, pela qual “os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no Hemisfério Ocidental e para proteger nossa pátria e nosso acesso a geografias-chave em toda a região”.
Para alcançar esse objetivo, a tática estadunidense é a de retomar a política de guerra às drogas. Mas, com um elemento adicional novo: considerar as organizações criminosas como terroristas. Com isso, medidas unilaterais, baseadas em evidências frágeis e manipuladas de acordo com os interesses estadunidenses podem ser tomadas, como sanções econômicas e mesmo ações militares contra alvos dentro do Brasil. Isso é uma grave afronta à soberania nacional.
Outro componente dessa tática, declarada abertamente em referido documento, indica um alinhamento a “governos, partidos e movimentos na região que estejam amplamente alinhados com nossos princípios e estratégias”. Na aplicação dessa política, os Estados Unidos se apoiam em uma rede de partidos e governos aliados e submissos a essa estratégia. No Brasil, seus maiores aliados são a família Bolsonaro.
É por demais evidente as relações da família Bolsonaro, e do conjunto da extrema-direita brasileira, com o crime organizado. O clã é o braço político das milícias, como a de Rio das Pedras, e grupos de extermínio como o Escritório do Crime, cuja atuação não se distingue da forma como agem PCC e CV. O clã Bolsonaro, portanto, não tem moral para se apresentar como defensores do povo contra o crime organizado.
O objetivo de Trump e Marco Rubio, ao designarem PCC e CV como organizações terroristas, é o de se aproveitar de uma justa preocupação do povo brasileiro para justificar ataques à economia nacional, além de ações militares contra o território brasileiro, bem como alentar a candidatura de Flávio Bolsonaro, cujo propósito é o de transformar o Brasil num mero protetorado dos interesses estadunidenses.
As organizações criminosas precisam ser enfrentadas. Atuam como inimigas do povo, controlando territórios na base da violência e da ameaça aos moradores. Mas tudo isso tem de ser feito em completo respeito às leis brasileiras.
Os instrumentos financeiros criados com empresas da Faria Lima para lavar o dinheiro de suas atividades ilícitas precisam ser desmontados. Os territórios submetidos ao controle dessas facções devem ser liberados.
É preciso rechaçar em termos absolutos a decisão do governo Trump. Sua intenção, dentro do projeto estadunidense de controlar toda a América Latina, é a de contornar o declínio de sua hegemonia com o recurso a instrumentos econômicos, políticos, diplomáticos e militares para submeter as nações do continente aos seus interesses.
Ao mesmo tempo, diante de uma ameaça de intervenção militar, cabe ao governo impulsionar um debate sobre a mudança na doutrina de segurança nacional. Esta precisa abandonar a tese do “inimigo interno” para uma efetiva defesa frente ao “inimigo externo”, que é o imperialismo. Ao mesmo tempo, é necessário adotar uma política de cortar a dependência dos fornecedores externos de equipamento militar, notadamente os Estados Unidos, incentivando uma produção industrial própria adaptada às nossas necessidades, capaz de nos defender de ataques externos e garantir o exercício da soberania nacional pelo povo, que deve ser mobilizado para essa luta.
Fonte:
https://www.cartacapital.com.br/mundo/trump-quer-controle-da-america-latina-e-militarizacao-leia-plano-completo/
Liga Comunista Brasileira – LCB
02 de junho de 2026