A VITÓRIA CONTRA A ESCALA 6 X 1 – A LUTA AGORA É IR PRA CIMA DO SENADO
Em 28 de maio, a classe trabalhadora brasileira alcançou uma de suas maiores vitórias nos últimos 30 anos. A proposta de uma escala de trabalho de 5 x 2 com 40 horas semanais e sem redução de salários foi aprovada na Câmara dos Deputados, por 472 votos a favor e 22 contra em primeira votação e 461 votos favoráveis e 19 contrário em segunda votação. Trata-se de uma vitória comparável à conquista do 13º salário, em 1962, e a extensão da CLT às empregadas domésticas, em 2013.
Agora, a PEC vai ao Senado, que já se mobiliza para anular a vitória alcançada na Câmara dos Deputados. O senador Rogério Marinho (PL/RN) protocolou a PEC 12/26, com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e mais 38 senadores. O Senador Marinho, quando exerceu o mandato de deputado federal em 2017, foi o relator da reforma trabalhista, responsável por aumentar a precarização e a insegurança dos trabalhadores.
A PEC protocolada por Rogério Marinho estabelece um regime de trabalho “negociado livremente” entre trabalhadores e patrões. O salário, bem como o 13º salário e as férias, seriam pagos proporcionalmente às horas trabalhadas. O resultado é o de acabar com o direito ao descanso semanal remunerado e impor aos trabalhadores uma jornada de trabalho de 7 x 0.
Após a avassaladora vitória na Câmara, agora é o momento de botar pressão no Senado. É preciso os movimentos populares, sindicatos e centrais manterem as manifestações, nas ruas e nas redes, em defesa do conteúdo integral da proposta de redução da escala e da jornada sem redução dos salários, tal como aprovada na Câmara.
É preciso também travar um debate com quem se auto localiza no campo da esquerda e rebaixa a importância da vitória contra a escala 6 x 1. Há quem acuse essa pauta em si, e o próprio VAT (Vida Além do Trabalho), de serem meros movimentos virtuais, sem base na materialidade da classe trabalhadora. É como se o movimento das redes sociais fosse irreal e sem substância, quando na verdade ele é uma medida importante sobre como a sociedade em seu conjunto pensa sobre os fatos políticos e sociais.
Essa acusação é risível e se esboroa ao vermos o empenho das organizações patronais, às vésperas da votação, em pressionar deputados para recusar a proposta. Paulo Skaf, atual presidente da Fiesp, foi quem comandou a patota de empresários pelos corredores do Congresso a fazer lobby pela manutenção da escala 6 x 1. A esmagadora votação obtida pela PEC que instituiu a escala 5 x 2 é mais uma prova do quanto os deputados foram pressionados, nas redes e nas ruas. Se a pauta não tivesse importância, resumindo-se a um fenômeno de redes, ela não teria mobilizado, nos últimos meses, um esforço descomunal da burguesia em evitar o fim da escala 6 x 1. Mesmo sem o movimento seguir o que esses “catedráticos da luta de classes” imaginam como ela deveria ser, a pressão nas ruas e nas redes derrotou as organizações patronais, a grande mídia com seus editoriais catastróficos caso acabasse a escala 6 x 1 e os economistas a falar que a produtividade seria abalada.
Atacam a pauta por ter assumido um viés institucional, por ser transformada em projeto de lei e, posteriormente, encampada pelo presidente Lula na forma de PEC. Criticam o fato de ela não ter sido alcançada por uma greve geral. Porém, como queriam que essa demanda fosse encaminhada? Para se materializar em garantia efetiva teria de se materializar em uma lei. Essa gente fala tanto de materialidade, de considerar o real, mas se mostram incapazes de enxergar que a luta de classe segue um curso muitas vezes próprio, pelas linhas de menor resistência do capital e de seus operadores.
De nossa parte, comunistas da LCB, consideramos a conquista alcançada na semana passada como uma vitória histórica importante. Precisa ser saudada e mostrada, aos trabalhadores, como exemplo de que só a pressão e a luta popular são capazes de garantir progressos sociais e a condição para fazermos a revolução.
Liga Comunista Brasileira – LCB
02 de junho de 2026