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O CENTRO ATUAL DA TÁTICA: DEFENDER A SOBERANIA NACIONAL E MANTER A LUTA PELO FIM DA ESCALA 6 X 1

Temos assistido, nas últimas semanas, uma leve inflexão à esquerda na conjuntura política. Essa inflexão foi causada por dois acontecimentos.

O primeiro foi a aprovação na Câmara dos Deputados, por esmagadora maioria, da PEC do fim da escala 6 x 1 com redução da jornada para 40 horas semanais e sem redução dos salários. A aprovação se deveu a grande pressão popular observada nas redes e nas ruas. O bolsonarismo até tentou uma manobra demagógica de última hora para atrapalhar a votação, mas ela não colou.

A matéria agora vai para o Senado, cujo presidente Davi Alcolumbre, a pedido das organizações patronais, quer retardar sua votação para depois da eleição. O Senador Rogério Marinho (PL/RN), com assinatura de Flávio Bolsonaro, protocolou uma PEC que cria o salário por hora trabalhada. Isso vai fazer a maioria dos trabalhadores trabalhar os 7 dias da semana para não sofrer uma diminuição em seus salários.

O segundo foi a retomada, por Donald Trump, após receber visita de Flávio Bolsonaro, de voltar a aplicar taxas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Uma das justificativas para a aplicação das sobretaxas é o nosso Pix, considerado por Trump um obstáculo às operadoras de cartão de crédito estadunidense.

Agindo como promotor desses interesses e, portanto, como traidor da pátria, para contornar as sobretaxas Eduardo Bolsonaro fez propaganda do Zelle, um sistema de pagamento dos Estados Unidos controlado por um consórcio de bancos, para concorrer com o nosso Pix.

O resultado combinado desses dois movimentos criou as condições para esse giro à esquerda na conjuntura. Ainda não é um giro capaz de provocar uma mudança estrutural na consciência das massas trabalhadoras. Mas orienta sobre as pautas capazes de amalgamar um bloco de forças político-sociais, após anos de sucessivas derrotas.

Por um lado, a ampliação dos direitos sociais e trabalhistas representado na luta pelo fim da escala 6 x 1 e, por outro, a defesa da soberania nacional frente aos ataques do imperialismo, constituem-se como eixos centrais da tática atual.

Para transformar esse giro conjuntural à esquerda em um giro estrutural será preciso manter o povo mobilizado nas redes e nas ruas. Cabe à esquerda em geral, e aos comunistas em particular, desatar uma campanha de denúncias sobre o papel de Alcolumbre em neutralizar a vitória alcançada na Câmara, combinada a uma denúncia do bolsonarismo e da extrema-direita como traidores da pátria. O povo forja sua consciência na luta. Cabe ao conjunto da esquerda construir esses espaços de mobilização.

Liga Comunista Brasileira – LCB

11 de junho de 2026