SUPERAR A DECADÊNCIA MORAL DA SOCIEDADE BURGUESA
Com o bolsonarismo emerge à cena política uma facção burguesa marginal no sentido literal e figurado da palavra.
No sentido literal, por se tratar de uma fração representada pelo pequeno e médio capital de base local e regional, onde predomina o capital ligado ao setor financeiro, de comércio e serviços.
No sentido figurado, por se tratar de uma fração burguesa apodrecida, de natureza arrivista, delinquente e criminosa. Sua ascensão ao controle do Estado foi facilitada pela crise política aberta com o impeachment de Dilma. Não por acaso coube a Bolsonaro, com largo histórico de relações com as milícias e o crime organizado, a expressão política e ideológica dessa facção.
Sua marca nas relações interpessoais é a da hipocrisia. Julgam-se cristãos, atribuem a si mesmo uma superioridade moral, defendem a família, mas estão envolvidos em escândalos de todo tipo. Praticam todo tipo de perversidade, desde o espancamento do filho de 3 anos por não dar bom dia ao pai, até o envolvimento em relações sexuais que seu moralismo barato considera como pecaminosa. Ou do pastor evangélico preso pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e ligações com a “máfia do cigarro”.
Mas a perversão dessa gente não pode ser condenada pela métrica da hipocrisia pessoal. Não é um fenômeno restrito à vida privada. É política pura! O banqueiro “cristão” Daniel Vorcaro, dono do Master, conhece bem a perversão que grassa no meio político e entre essa facção de capitalistas brasileiros. Por isso atuava para lavar o dinheiro de operações de corrupção e recebia, como pagamento pelos serviços prestados, facilidades para saquear os fundos públicos.
Ao mesmo tempo organizava verdadeiras orgias e surubas para manter toda essa gente na rédea curta. Com suas festas de arromba, Vorcaro reproduzia no Brasil os mesmos métodos usados por Epstein nos Estados Unidos. Este organizava, para deleite da burguesia imperialista, orgias nas quais oferecia como presas sexuais crianças e adolescentes. Há, inclusive, suspeitas de que em alguns banquetes o menu principal era literalmente carne humana.
Outra manifestação desse caráter cada vez mais delinquente da burguesia brasileira está no Congresso. Desde 2019, por acordo entre Bolsonaro e o então presidente da Câmara dos Deputados, Artur Lira (PP/AL), criou-se o chamado orçamento secreto.
As antigas emendas parlamentares ao Orçamento da União foram substituídas por uma destinação de bilhões de reais sem qualquer transparência, como o nome dos deputados e senadores contemplados, assim como os municípios beneficiados e as obras realizadas.
Investigações da Polícia Federal tem revelado repasses de dinheiro, via orçamento secreto, a políticos sem mandato. Os beneficiados seriam Waldemar da Costas Neto, dono da legenda do PL, e Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara cassado em 2016. Ambos se aproveitam de suas influências políticas para serem regalados com cerca de R$ 125 milhões em “emendas”, sem serem parlamentares.
Nestes casos é preciso remover essa escumalha do poder e expropriar as riquezas roubadas por esquemas de corrupção, punindo-as criminalmente.
A luta das massas trabalhadoras, hoje, envolve uma dimensão moral. A burguesia em seu conjunto, além de se apoiar na lógica da extrema exploração da classe trabalhadora, representa o capitalismo em sua dimensão distópica e delinquente. Às massas trabalhadoras cabe a tarefa de superar esse cenário e construir um projeto político revolucionário, socialista e civilizatório superior.
Liga Comunista Brasileira – LCB
16 de julho de 2026