A DITADURA PRECISA SER DERROTADA MAIS UMA VEZ
A ditadura civil-militar, de 1964/1985, é um dos fatos mais importantes da história do Brasil. A vida brasileira é marcada pela herança da ditadura ainda hoje. O ex ocupante do Palácio do Planalto inicia sua caminhada à Presidência na votação do impeachment, quando dedicou seu voto a um dos maiores criminosos contra a humanidade, classificando-o como o “terror da Dilma”. A disputa pela memória e pela verdade passou ocupar o centro da cena nacional.
A ditadura brasileira foi derrubada por um amplo movimento de massas, com greves, campanhas democráticas, movimentos contra a carestia, por terra e moradia e com a ascensão dos movimentos negro, de mulheres, lgbt e juventude. Essa movimentação culminou na campanha das Diretas Já, que levou milhões às ruas.
Porém, o regime ditatorial logrou negociar sua saída do poder, de forma que se formou a aparência de uma transição de poder normal, com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Essa transição negociada deu vazão a versões de que a ditadura no Brasil seria mais branda do que em outros países da América do Sul. Que na Argentina mataram 30.000 e no Brasil menos de 500, como a se a contabilidade dos assassinatos fosse uma métrica de ferocidade ou brandura das ditaduras.
Os torturadores não foram julgados. A ditadura aproveitou a anistia parcial arrancada pelo movimento popular para auto anistiar os seus crimes. Políticos e empresários que participaram e se beneficiaram da ditadura seguiram suas carreiras e seus negócios, participando inclusive dos governos civis do chamado ciclo democrático.
Os crimes da ditadura foram silenciados. Os crimes contra os direitos humanos, contra a organização do trabalho, os crimes ambientais e da saúde pública, o genocídio dos povos indígenas, a falsificação de dados econômicos e sociais, a negação de direitos básicos a habitação e a alimentação. Cevou-se certo saudosismo do período militar, em que se existiria uma ordem destruída pelos governos democráticos. Esse saudosismo foi fundamental para a consolidação e vitória eleitoral do fenômeno bolsonarista.
A relativização da ditadura não é obra exclusiva da direita militar e dos civis fascistas e de direita. Um famoso youtuber afirmou que a ditadura só pegava para quem era militante. Por ocasião do lançamento do filme Ainda Estou Aqui, o desaparecido político Rubens Paiva, um verdadeiro herói do povo brasileiro, sofreu uma campanha de cancelamento, acusado de ser burguês e branco. Há, em diversos setores da esquerda, uma subestimação do fascismo, como se não houvesse diferença para o povo pobre trabalhador entre ditadura e um regime de franquias democráticas.
Temos de mais uma vez derrotar a ditadura. Todos os dias. A ditadura é sinônimo de concentração fundiária, arrocho salarial, negação dos direitos à saúde, educação e habitação, violência policial, tortura e genocídio.
Esse contraponto à ditadura não é meramente teórico. Os avanços conquistados na Constituição de 88 se deram no contexto da luta contra a ditadura.
E entender que para a luta operária e popular avançar é preciso conhecer a história. Conhecer as lutas do povo e em que condições se deram. Derrotar a ditadura é derrotar o fascismo de hoje. Passado, presente e futuro não se separam.
Indicamos o documentário O Dia que durou 21 Anos, de 2013, dirigido por Camilo Tavares: https://youtu.be/ltawI64zBEo?is=yDiS3V-rjtCxmpl1.
Liga Comunista Brasileira – LCB
26 de agosto de 2026