COMBATER O OPORTUNISMO ELEITORAL
As eleições brasileiras são, mais do que no futebol, uma “caixinha de surpresas”. Surpresa para analistas superficiais. Surpresas falsas, onde candidatos se apresentam como novo, sendo mais do mesmo. O jogo político reflete o que ocorre na sociedade brasileira, que viveu a desarticulação do mercado de trabalho, com as reformas trabalhista e previdenciária, a desindustrialização e a perda de capacidade de planejamento e intervenção do Estado na economia.
A maioria da população assiste a perda contínua de direitos básicos, a privatização dos serviços públicos, mudanças tecnológicas vindas de fora do país e a falta de perspectivas de melhoria de vida. O predomínio da fração financeira da burguesia, em associação com o agro e o crime organizado, tem drenado a economia popular, com juros altos em empréstimos e aumento das tarifas de água e luz.
Resultado da desindustrialização, da reprimarização da economia e da cultura de pilhagem da burguesia brasileira, o país se vê indefeso perante às ameaças do imperialismo, que já ultrapassaram as fronteiras da mera retórica. O quadro eleitoral é o espelho da burguesia brasileira no seu atual estágio. Consumidora do capital acumulado, exploradora do trabalho e da natureza sem qualquer limite e mediação, parasita das rendas do Estado e da especulação imobiliária e financeira.
No programa dos candidatos da direita, indivíduos que trafegam entre o bizarro e o canhestro, encontram-se pérolas como o fim da CLT, estado de exceção para as favelas, drones para combater o feminicídio e a promoção de influencers e youtubers. A política se converte em uma não-política, espasmo do niilismo dos nossos tempos.
Agora, se apresenta como novidade um autor de livros de autoajuda, falso terapeuta e coach, apoiado por um publicista da mesma natureza. Não nos enganemos. O apelo de uma falsa espiritualidade, possibilidade de conciliação entre esquerda e direita, é a expressão do neoliberalismo e da ideologia do empreendedorismo. O fascismo é niilista, independente da suavidade da embalagem. A ausência de participação popular na campanha, nas ruas e nas redes, abre espaço para toda a sorte de aventureiros. Os comunistas devem intensificar sua ação de campanha, com firmeza e coragem, para derrotar o fascismo e o imperialismo ainda no primeiro turno das eleições.
Liga Comunista Brasileira – LCB
02 de setembro de 2026