50 ANOS DO ADEUS AO GRANDE TIMONEIRO
Por Carlos Magnum
INTRODUÇÃO
A data de 9 de setembro de 1976, que trouxe a triste notícia do falecimento de Mao Zedong, é um marco histórico decisivo e uma exigência teórica para a compreensão da história política do século XX e dos rumos da modernidade contemporânea. Mao Zedong foi de fundamental importância para a construção das estruturas do Estado chinês moderno, as profundas reconfigurações da geopolítica mundial e a dialética viva entre formulação teórica e prática insurrecional; jamais poderá ser rebaixado a um mero exercício protocolar de calendário ou a uma celebração desprovida de rigor investigativo.
A liderança de Mao na Revolução de 1949 representa a ruptura estrutural que encerrou o “século de humilhações”, unificou o território nacional e converteu uma sociedade semifeudal e semicolonial em um polo soberano de poder global. No plano filosófico e estratégico, suas contribuições no tratamento das contradições principais e secundárias, na sistematização da guerra popular prolongada e no método da Linha de Massas constituem um desenvolvimento prático da dialética materialista fora das fronteiras europeias, oferecendo um instrumental decisivo aos movimentos de libertação nacional do Sul Global. Essa produção teórica e histórica é um corpo conceitual articulado às lutas concretas de massas; jamais poderá ser encarada como uma peça de museu fossilizada ou um conjunto de dogmas descolados da realidade material.
Ao mesmo tempo, revisitar esse momento é confrontar diretamente as contradições mais agudas da edificação socialista, compreendendo as tensões extremas que atravessaram os planos industriais e agrários do Grande Salto Adiante e os levantes políticos e de massas da Revolução Cultural Proletária. Este exame rigoroso é a base necessária para rastrear a transição que desaguou nas Reformas e Abertura e na subsequente consolidação da China como potência produtiva e tecnológica no século XXI. A complexidade dramática desse processo histórico é matéria para o método dialético e o confronto minucioso com os documentos e as disputas de classes da época; jamais poderá ser capturada por leituras maniqueístas, caricaturas liberais ou análises anacrônicas que apaguem a violência do cerco imperialista e as urgências objetivas enfrentadas pela liderança comunista.
Lembrar a morte de Mao Zedong é recuperar a chave explicativa para entender a formação de uma das principais potências antagônicas à ordem unipolar contemporânea. Trata-se de um ato de escrutínio analítico permanente; jamais poderá ser tratado como um episódio superado e sem desdobramentos sobre as lutas políticas e hegemônicas que moldam o presente.
A FORMAÇÃO INTELECTUAL, A JUVENTUDE E A ADESÃO AO MARXISMO (1893–1921).
A infância e a juventude de Mao Zedong desdobraram-se no contexto da profunda crise do império Qing e da busca por caminhos de modernização da China. Durante seus estudos na Escola Normal de Changsha, Mao dedicou-se à leitura dos clássicos chineses, da filosofia ocidental e das novas ideias democráticas. Em abril de 1918, Mao organizou com Cai Hesen a Sociedade do Povo do Novo Método (Xinmin Xuehui), voltada para a busca de verdades revolucionárias e transformação social. No outono de 1918, ao mudar-se para Pequim, trabalhou como assistente do bibliotecário Li Dazhao na Universidade de Pequim, onde absorveu os primeiros ensinamentos sobre o marxismo e a Revolução de Outubro. O impacto do Movimento Quatro de Maio de 1919 acelerou a politização de Mao, levando-o a fundar o jornal Xiangjiang Review e a organizar os trabalhadores de Hunan. No verão de 1920, Mao consolidou definitivamente sua fé teórica no marxismo-leninismo após o estudo de obras fundamentais traduzidas para o mandarim.
“No inverno de 1920, organizei os trabalhadores politicamente pela primeira vez, e comecei a ser guiado nessa época pela influência da teoria marxista e história da Revolução Russa. Durante minha segunda visita a Pequim, eu havia lido muito sobre os eventos na Rússia, e empenhadamente procurado pelo pouco de literatura comunista disponível em escrita chinesa. Três livros, especialmente, ficaram profundamente gravados em minha mente, e me consolidaram uma fé no marxismo, do qual, uma vez que aceitei como a interpretação correta da história, não hesitei posteriormente. Esses livros foram o Manifesto comunista, traduzido por Chen Wangdao, o primeiro livro marxista a ser publicado em caracteres chineses; Luta de classes, de Karl Kautsky; e o Uma História do socialismo, de Thomas Kirkup. No verão de 1920, me tornei, em teoria, e de certo modo na prática, um marxista, e desse período em diante passei a me considerar como tal.”1
Em julho de 1921, Mao participou do Primeiro Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês em Xangai, figurando como um dos doze delegados fundadores da agremiação.
A ASCENSÃO DO MARXISMO, A LUTA AGRÁRIA E A GUERRA POPULAR (1921–1935)
Durante o período da Primeira Frente Unida entre o PCCh e o Kuomintang, Mao concentrou sua atuação política na organização do movimento camponês. Em contraposição à linha dogmática do Komintern e de Chen Duxiu, que priorizavam a insurreição operária urbana, Mao identificou o imenso potencial revolucionário das massas rurais. Em obras seminais como Análise das Classes na Sociedade Chinesa (1926) e Relatório sobre uma Investigação feita em Hunan a respeito do Movimento Camponês (1927), Mao formulou a base teórica da aliança operário-camponesa. Após o golpe de Chiang Kai-shek contra os comunistas em 1927, Mao liderou o Levantamento da Colheita de Outono e estabeleceu a primeira base revolucionária nas Montanhas Jinggangshan.
“Em 1927, a ala de direita do Kuomintang controlada por Chiang Kai-shek e Wang Jingwei traiu a aliança anti-imperialista e antifeudal entre o Kuomintang e o Partido Comunista decidida pelo Dr. Sun Yat-sen, e realizou sucessivos golpes contra-revolucionários que levaram a uma ruptura completa da cooperação entre o Kuomintang e o Partido Comunista. Em 7 de agosto em Hankou uma reunião de emergência foi convocada pelo Comitê Central do Partido Comunista Chinês. A sessão pôs fim ao desvio de Direita de Chen Duxiu e decidiu por uma política geral de realizar a revolução agrária e a resistência armada contra os massacres organizados do Kuomintang, políticas projetadas para salvar a revolução chinesa num momento crítico. Foi nessa reunião que Mao Zedong apresentou a ideia de que o poder político deveria ser conquistado pela força armada revolucionária. Isso foi de grande importância para levar os comunistas chineses a uma compreensão correta das características e da direção da revolução chinesa. Eleito membro suplente do Departamento Político Central na reunião, Mao Zedong foi então enviado de volta a Hunan pelo Comitê Central do Partido. Em 9 de setembro ele liderou o Levantamento da Colheita de Outono na fronteira Hunan-Jiangxi. Pouco depois, liderou as tropas insurgentes até as Montanhas Jinggangshan, onde realizou uma revolução agrária e estabeleceu a primeira base revolucionária rural da China.”2
Unindo suas forças às do Marechal Zhu De em 1928, Mao fundou o Exército Vermelho dos Trabalhadores e Camponeses da China. Nessa etapa, escreveu ensaios cruciais como Por que o poder vermelho pode existir na China? e Uma só faísca pode incendiar toda a pradaria, sintetizando a estratégia de cercar as cidades a partir do campo. Entre 1930 e 1934, o Exército Vermelho sob o comando de Mao e Zhu De derrotou quatro campanhas sucessivas de cerco e aniquilamento movidas pelo Kuomintang. Contudo, a adoção de linhas aventureiras pela direção de Wang Ming fragilizou a Base Central de Jiangxi, forçando o início da Longa Marcha em outubro de 1934. Em janeiro de 1935, durante a Reunião Ampliada do Politburo em Zunyi, a liderança de Mao Zedong no Partido e no Exército foi estabelecida, salvando a revolução de um colapso iminente.
O PERÍODO DE YAN’AN, A ELABORAÇÃO TEÓRICA E A GUERRA ANTIJAPONESA (1935–1945).
Após percorrer vinte e cinco mil li através de montanhas e rios, as forças comunistas estabeleceram sua nova sede em Yan’an, na província de Shaanxi, no final de 1935. Em Yan’an, Mao produziu a parte mais madura de sua obra filosófica, política e militar. Em 1937, escreveu os tratados Sobre a Prática e Sobre a Contradição, aplicando a dialética materialista à crítica do dogmatismo no seio do Partido. Com a eclosão da Guerra de Resistência contra o Japão em 1937, Mao promoveu a criação da Segunda Frente Unida Nacional e formulou a teoria da guerra popular em Problemas Estratégicos da Guerra de Guerrilhas contra o Japão e Sobre a Guerra Prolongada.
“De 1936 a 1937, Mao Zedong baseou-se no marxismo-leninismo para resumir a experiência da revolução chinesa. Em dezembro de 1936, escreveu Problemas Estratégicos da Guerra Revolucionária da China, no qual expôs sistematicamente as características, leis, estratégia e táticas da guerra revolucionária chinesa e criticou o aventureirismo de ‘Esquerda’ nos assuntos militares. No verão de 1937, escreveu obras filosóficas como as famosas Sobre a Prática e Sobre a Contradição, nas quais resumiu a experiência básica da revolução chinesa de um ponto de vista filosófico e aplicou a teoria marxista da cognição e da dialética para expor e criticar os erros do subjetivismo, e particularmente os do doctrinarismo encontrados no Partido Comunista. Através dessas obras, Mao Zedong enriqueceu e desenvolveu ainda mais o pensamento filosófico do marxismo-leninismo. Em agosto de 1937, após a eclosão da Guerra de Resistência contra o Japão, o Departamento Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês convocou uma reunião ampliada em Luochuan, no norte de Shaanxi. Mao Zedong proferiu um importante discurso na reunião, no qual apresentou a linha do partido, o programa e as políticas a serem adotadas durante a Guerra de Resistência.”3
Entre 1939 e 1940, Mao publicou Sobre a Nova Democracia, definindo a natureza, as tarefas e as forças motrizes da revolução chinesa. Ele estabeleceu que a revolução democrática na China deveria ser liderada pelo proletariado e articulada através das “Três Grandes Armas”: a Frente Unida, a Luta Armada e a Construção do Partido. Entre 1941 e 1945, dirigiu o Movimento de Retificação do Estilo de Trabalho (Zhengfeng), promovendo o estudo do marxismo-leninismo e erradicando o dogmatismo. No VII Congresso Nacional do PCCh em 1945, o “Pensamento de Mao Zedong” foi formalmente consagrado no Estatuto do Partido como a ideologia guia da revolução.
A GUERRA DE LIBERTAÇÃO E A FUNDAÇÃO DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA (1945–1949).
Após a rendição do Japão em agosto de 1945, Mao viajou pessoalmente a Chongqing para negociar com Chiang Kai-shek em busca da paz e da reconstrução nacional. Apesar da assinatura do Acordo de 10 de Outubro, o Kuomintang deflagrou a guerra civil ampla no verão de 1946 com o apoio dos Estados Unidos. Sob o comando de Mao, Zhou Enlai e Zhu De, o Exército de Libertação Popular adotou princípios de guerra de manobra e destruição progressiva das forças inimigas. Entre 1948 e 1949, as três grandes campanhas militares — Liaoshen, Huaihai e Pingjin — aniquilaram as tropas principais do Kuomintang. Em junho de 1949, Mao publicou Sobre a Ditadura Democrática Popular, estabelecendo a estrutura política do futuro Estado socialista. Em 1º de outubro de 1949, do topo do Portão Tiananmen, Mao proclamou a fundação da República Popular da China, declarando que o povo chinês havia se colocado de pé.
A CONSTRUÇÃO SOCIALISTA, A REFORMA AGRÁRIA E O DESENVOLVIMENTO NACIONAL (1949–1957).
Nos primeiros anos da República Popular, o governo liderado por Mao realizou a Reforma Agrária em todo o país, eliminando a classe dos latifundiários e distribuindo terras a mais de trezentos milhões de camponeses. Durante a Guerra da Coreia (1950–1953), Mao tomou a decisão estratégica de enviar o Exército de Voluntários do Povo para deter o avanço americano na fronteira. Em 1953, lançou a “Linha Geral para o Período de Transição” e o Primeiro Plano Quinquenal, promovendo a industrialização pesada e a coletivização agrícola. Em 1956, Mao proferiu o discurso Sobre as Dez Grandes Relações, buscando equilibrar a indústria pesada, a indústria leve e a agricultura e corrigindo desvios do modelo soviético. No mesmo ano, lançou a Campanha das Cem Flores e apresentou a tese Sobre a Correta Solução das Contradições no Seno do Povo.
“O que devemos aprender com Mao Zedong para fazer triunfar a verdade é que os princípios que ele apresenta sempre levam a maioria das pessoas em consideração e são do interesse delas. É verdade que ele é o líder do Partido Comunista Chinês, mas ao mesmo tempo é geralmente reconhecido que ele é o líder de toda a nação. No que diz respeito ao Partido Comunista, ele representa o proletariado. Numericamente, o proletariado chinês consiste em apenas alguns milhões de pessoas, menos de um por cento da população. Como o Partido Comunista, que representa essa classe, pode vencer a revolução chinesa? O Presidente Mao torna seu objetivo central aplicar a ideologia marxista proletária à realidade chinesa, conquistar a esmagadora maioria do povo e reuni-los em torno do proletariado para levar a revolução à vitória. Ele não se confina a um pequeno círculo nem se entrega a conversas vazias sobre a revolução.”4
AS EXPERIÊNCIAS DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL, O GRANDE SALTO E A REVOLUÇÃO CULTURAL (1958–1976).
Em 1958, Mao impulsionou o “Grande Salto Adiante” e a criação das Comunas Populares no campo, buscando acelerar o desenvolvimento industrial e agrícola através da mobilização de massa. Embora o movimento tenha alcançado conquistas em obras de infraestrutura e irrigação, severos desequilíbrios no planejamento, exageros estatísticos e desastres naturais desencadearam a crise econômica de 1959–1961. Em 1959, durante a Conferência de Lushan, o confronto político com Peng Dehuai interrompeu as correções prévias e aprofundou as divisões internas no Partido.
A partir de 1963, Mao deflagrou o Movimento de Educação Socialista, alertando para o perigo de restauração capitalista e de surgimento de uma burocracia de tipo soviético. Em maio de 1966, Mao lançou a Grande Revolução Cultural Proletária para combater “aqueles dentro do Partido que tomam a via capitalista”. Na esfera internacional, Mao liderou a luta contra o revisionismo no Grande Debate contra o PCUS e, no início da década de 1970, formulou a “Teoria dos Três Mundos” e promoveu a reaproximação diplomática com os Estados Unidos. Mao Zedong faleceu em Pequim em 9 de setembro de 1976, aos 82 anos.
O AVAL HISTÓRICO, A AVALIAÇÃO DE DENG XIAOPING E O LEGADO DOS 50 ANOS (1976–2026).
Após o falecimento de Mao, o Comitê Central do PCCh aprovou em junho de 1981 a Resolução sobre Certas Questões na História do Nosso Partido desde a Fundação da República Popular da China, na qual fez uma avaliação científica de sua vida e obra. A liderança de Deng Xiaoping reafirmou que as contribuições históricas de Mao são primárias e seus erros secundários, definindo a proporção de setenta por cento de acertos e trinta por cento de erros.
“Mao Zedong foi a bandeira da revolução chinesa. Ele é e sempre será a bandeira da causa socialista da China e da causa anti-hegemônica. Em nossa marcha para a frente, nós sempre manteremos a bandeira do Pensamento de Mao Zedong no alto. A causa e o pensamento do Camarada Mao Zedong não são apenas dele: eles são igualmente os de seus companheiros de armas, do Partido e do povo. O seu pensamento é a cristalização da experiência da luta revolucionária do povo chinês ao longo de meio século… Em nossa avaliação de seus méritos e erros, sustentamos que seus erros foram apenas secundários. O que ele fez pelo povo chinês nunca poderá ser apagado. Em nossos corações, nós, chineses, sempre o estimaremos como um fundador do nosso Partido e do nosso Estado.”5
CONTRIBUIÇÕES PARA A CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA, PARA O SOCIALISMO CIENTÍFICO BEM COMO PARA O MATERIALISMO HISTÓRICO E DIALÉTICO
A obra política e intelectual de Mao Zedong representa uma síntese original da teoria marxista adaptada às condições sociais e históricas específicas da China e do Terceiro Mundo. Ao integrar a teoria geral do proletariado com a prática revolucionária da libertação nacional e agrária, Mao desenvolveu contribuições fundamentais que moldaram o curso do século XX. Desde a sua formação marxista inicial na década de 1920 até o comando do Partido Comunista Chinês, o pensamento de Mao Zedong articulou a luta de libertação anti-imperialista com a edificação de um novo Estado de democracia popular. Essa trajetória teórica e prática buscou transformar as estruturas feudais e coloniais por meio da mobilização massiva do campesinato e da aliança operário-camponesa.
No âmbito do socialismo científico, Mao Zedong redefiniu o alcance da revolução proletária mundial ao conceber a luta pela libertação nacional nos países oprimidos como um componente indissociável da transição ao comunismo. Mao sustentava que o socialismo científico não poderia ser aplicado de forma abstrata ou dogmática, mas devia fundir-se com as tarefas democráticas e antimperialistas em nações subjugadas. Para ele, o socialismo de um povo privado de sua soberania dependia primeiramente da conquista da independência e do poder popular autônomo. Conforme o próprio Mao declarou em entrevista histórica:
“A vitória do movimento de libertação nacional chinês será parte da vitória do socialismo mundial, porque derrotar o imperialismo na China significa a destruição de uma de suas bases mais poderosas. Se a China vencer sua independência, a revolução mundial vai progredir muito rapidamente. Se nosso país for subjugado pelo inimigo, perderemos tudo. Para um povo privado de sua liberdade nacional, a tarefa revolucionária não é o socialismo imediato, mas a luta pela independência. Não podemos pensar em dirigir o comunismo se não tivermos país para praticá-lo.” 6
O pensamento econômico de Mao Zedong caracterizou-se pelo rechaço ao modelo centralizado de matriz soviética e pela defesa de um desenvolvimento autônomo baseado no equilíbrio entre agricultura, indústria leve e indústria pesada. Em obras cruciais como As Dez Grandes Relações, Mao criticou a hipertrofia da indústria pesada em detrimento do bem-estar camponês, propondo a descentralização administrativa e o aproveitamento das forças produtivas locais. Mao compreendeu que, durante a fase de transição socialista, as relações de produção e o uso das formas mercantis deviam ser orientados para o fortalecimento da economia coletiva e para o benefício das massas trabalhadoras. Sobre a função do planejamento e da economia mercantil sob o regime socialista, Mao afirmou categoricamente: “Não se deve ter medo da produção de mercadorias; a questão reside em ver a que tipo de economia ela está ligada. A lei do valor não desempenha um papel regulador principal, mas serve como um instrumento de cálculo para a construção socialista.”7
A contribuição de Mao Zedong ao materialismo histórico e dialético fundou-se na centralidade da lei da contradição como o núcleo fundamental de todos os fenômenos da natureza e da sociedade. Em seus textos filosóficos seminais, como Sobre a Prática e Sobre a Contradição, Mao aprofundou a teoria do conhecimento marxista, enfatizando que as ideias corretas derivam exclusivamente da prática social e devem a ela retornar para serem testadas. Ao analisar a história da civilização humana a partir do materialismo histórico, Mao sintetizou que a dinâmica de transformação social reside essencialmente no conflito incessante de classes e na superação das estruturas de exploração. Formulando essa lei metodológica do desenvolvimento histórico, Mao registrou expressamente: “As classes lutam, algumas classes triunfam, outras são eliminadas. Assim é a história, assim é a história da civilização de milhares de anos. Interpretar a história a partir deste ponto de vista é o materialismo histórico; posicionar-se em oposição a este ponto de vista é o idealismo histórico”8.
A estratégia política maoísta articulou a teoria da Nova Democracia à metodologia da linha de massa, estabelecendo que a direção do partido deve recolher as ideias dispersas do povo e transformá-las em políticas conscientes. Através do princípio de cercar as cidades a partir do campo, Mao uniu a guerra agrária à construção de bases revolucionárias rurais, transformando o campesinato na força principal da revolução. A aplicação criativa desse método permitiu ao povo chinês superar a dominação imperialista e derrubar as velhas classes exploradoras, criando as condições políticas para a edificação do Estado socialista.
A síntese do pensamento de Mao Zedong reafirma a importância da integração da verdade universal do marxismo-leninismo com a prática concreta de cada formação social. Transcorridos cinquenta anos de seu falecimento, o método maoísta de “buscar a verdade nos fatos” (Shi shi qiu shi) permanece como uma referência teórica crucial para a compreensão das transformações contemporâneas da China e do movimento socialista internacional. Sua herança conceitual demonstra que a libertação dos povos exige o rigor analítico da dialética, o desenvolvimento soberano das forças produtivas e a participação ativa das massas no processo histórico.
IX. LIU SHAOQI: A FORMULAÇÃO DO PENSAMENTO MAO ZEDONG E A LIDERANÇA DO PARTIDO
Liu Shaoqi desempenhou um papel central na codificação teórica e no reconhecimento institucional da liderança de Mao Zedong no Partido Comunista da China. Em 1943, ao assinalar o 22º aniversário da fundação do CPC, Liu Shaoqi destacou que o proletariado e o povo chinês haviam finalmente encontrado o seu líder supremo na pessoa de Mao Zedong.
“Através da prolongada, árdua e complicada luta revolucionária nos últimos vinte e dois anos, o nosso Partido, o proletariado e o povo revolucionário do nosso país finalmente encontraram o seu próprio líder no Camarada Mao Zedong. O Camarada Mao Zedong é um revolucionário firme e grande que passou por uma longa têmpera nestas lutas, que dominou completamente a estratégia e a tática marxista-leninista e que é infinitamente leal à causa da libertação da classe trabalhadora chinesa e do povo chinês.”9
Durante o 7º Congresso Nacional do CPC em 1945, no seu célebre relatório Sobre o Partido, Liu Shaoqi elevou o Pensamento Mao Zedong à condição de guia oficial da revolução, definindo Mao Zedong não apenas como um homem de Estado, mas como o maior teórico da história chinesa.
“O nosso Camarada Mao Zedong não é apenas o maior revolucionário e homem de Estado da história chinesa, mas também o maior teórico e cientista. Ele teve a audácia de liderar todo o Partido e todo o povo chinês em lutas que abalaram o mundo e, mais do que isso, ele foi o mais bem-versado e o mais firme desafiador das teorias estabelecidas. No campo teórico, ele foi ousado em abrir novos caminhos. Ele descartou certos princípios e conclusões marxistas específicos que estavam desatualizados ou eram incompatíveis com as condições concretas da China, substituindo-os por novos princípios e conclusões apropriados. Por esta razão, ele foi capaz de realizar com sucesso a difícil e monumental tarefa de sinificar o marxismo.”10
Mesmo após o estabelecimento da República Popular da China, em seu discurso comemorativo do 40º aniversário do CPC em 1961, Liu Shaoqi reiterou a importância decisiva da liderança de Mao para superar os desvios de “Esquerda” e de Direita dentro do Partido.
“Durante quarenta anos, o nosso Partido e toda a nação foram capazes de superar as dificuldades passo a passo e vencer vitórias na luta árdua e complicada; isto é inseparável da liderança correta do Camarada Mao Tse-tung. O Camarada Mao Tse-tung adere sempre ao princípio de integrar a verdade universal do marxismo-leninismo com a prática concreta da China e resolveu criativamente uma série de questões teóricas e práticas relativas à revolução e à construção chinesas. Ele levou-nos a superar vários erros de Direita e de ‘Esquerda’ dentro do nosso Partido, e isto permitiu que o nível político e ideológico de todo o Partido se elevasse constantemente. A liderança correta do Camarada Mao Tse-tung é de importância decisiva para a vitória do nosso Partido e do povo chinês.”11
X. ZHU DE: A CIÊNCIA MILITAR, A ESTRATÉGIA DA GUERRA POPULAR E A ATRIBUIÇÃO DOS MÉRITOS
O Comandante-em-Chefe Zhu De (Chu Teh) enfatizou a genialidade militar de Mao Zedong e a aplicação das suas táticas para a criação de um exército popular invencível. No seu relatório militar ao 7º Congresso do Partido em 1945, Zhu De atribuiu a eficácia do Oitavo Exército de Rota e do Novo Quarto Exército à linha política e militar traçada por Mao.
“A Expedição do Norte, a Guerra Revolucionária Agrária e os oito anos da Guerra de Resistência contra o Japão deram à luz uma ciência militar correta que melhor se adapta às necessidades do povo chinês. É uma ciência militar que combina teoria com prática. Os muitos escritos militares do Camarada Mao Zedong são boas exposições desta nova ciência militar… O expoente representativo da nossa linha política e da nossa linha militar é o nosso líder, o Camarada Mao Zedong. Para a vitória da Guerra de Resistência, eu, aqui neste congresso, gostaria de fazer um ponto ao instar os nossos camaradas a estudar os escritos militares do Camarada Mao Zedong tão seriamente quanto estudam os seus escritos sobre política, economia e cultura.”12
Em um pronunciamento posterior, ao analisar a vitória sobre o regime reacionário do Kuomintang em 1949, Zhu De destacou que o mérito da libertação pertencia ao povo e, no âmbito do Partido, à liderança imaculada de Mao Zedong.
“Quem derrubou o regime reacionário na China e a quem deveríamos atribuir esta vitória? Comandantes e camaradas, se me fizerem esta pergunta, eu responderia que foi toda a militância do Partido e as massas que juntas derrubaram os reacionários, e que esta vitória deve ser atribuída em primeiro lugar ao povo e, no que diz respeito ao nosso Partido, ao Camarada Mao Zedong. Inumeráveis mártires deram as suas vidas ao longo de quase 30 anos de dura luta contra os reacionários. Sem o seu heroísmo e sacrifício, a nossa vitória presente seria inconcebível. Da mesma forma, sem a liderança correta do Camarada Mao Zedong e sem o nosso constante descarte de deficiências e erros sob a orientação do Pensamento Mao Zedong, a expansão rápida e a vitória final da causa revolucionária do Partido e do povo teriam sido impossíveis.”13
XI. PENG DEHUAI: LEALDADE REVOLUCIONÁRIA, CRÍTICA HONESTA E A CONFIANÇA MÚTUA
A relação entre o Marechal Peng Dehuai e Mao Zedong é caracterizada por uma profunda camaradagem histórica temperada por uma franqueza absoluta. Nas notas introdutórias e no corpo das suas Memórias, Peng Dehuai expressou o seu respeito pessoal por Mao Zedong, definindo a sua consideração pelo líder em termos humanos e políticos.
“Em um fórum entre o exército e o governo realizado no Norte da China em 1945, Peng Dehuai disse que considerava Mao Zedong em primeiro lugar como um irmão mais velho, em segundo lugar como um professor e, por último, como um líder. Conforme expresso nas Memórias, fica claro que grande parte da admiração de Peng Dehuai por Mao Zedong baseava-se nas teorias corretas formuladas pelo Presidente ao longo das etapas da revolução.”14
Peng Dehuai rejeitou categoricamente as acusações de que teria se oposto sistematicamente a Mao Zedong desde a Reunião de Zunyi de 1935. Para demonstrar a confiança mútua entre ambos, Peng recordou o famoso poema dedicado a ele por Mao após a vitória em Wuqi e a modesta alteração que realizou no texto.
“Alguém disse: ‘Desde que a liderança do Camarada Mao foi estabelecida em todo o Partido e em todo o exército na Reunião de Zunyi em 1935, Peng Dehuai opôs-se à sua liderança na maior parte do tempo e realizou atividades divisivas dentro do Partido e do exército.’ Há alguma base para estas acusações infundadas? Nenhuma. Pelo contrário, quando o Exército Vermelho derrotou a cavalaria perseguidora após chegar à cidade de Wuqi, o Presidente Mao escreveu-me um poema, que dizia: ‘Montanhas altas, passos perigosos, ravinas profundas, / A cavalaria inimiga varre em todo o comprimento e largura à vontade; / Quem ousa pará-los, a cavalo, arma em riste? / Apenas o nosso General Peng Dehuai.’ Eu mudei a última linha do poema para ‘Apenas o nosso heroico Exército Vermelho’, e devolvi o poema ao Presidente Mao. Claramente, não havia desinteligência entre nós, mas sim confiança mútua.” 15
XII. QI BENYU, HUA GUOFENG E JIANG ZEMIN: TESTEMUNHOS ÍNTIMOS E O CONSENSO HISTÓRICO INSTITUCIONAL
Qi Benyu, membro do Grupo da Revolução Cultural Central, registrou em suas Memórias a intervenção de Lin Biao na Conferência dos 7.000 Cadres em 1962, reforçando a percepção de inefabilidade da liderança de Mao. Qi Benyu defendeu vigorosamente a integridade revolucionária de Mao Zedong contra difamações posteriores.
“Lin Biao disse que não foi o Presidente quem cometeu erros, fomos nós que cometemos erros. ‘Sempre que nos afastamos do Presidente, cometemos erros. Se não acreditam em mim, vão e verifiquem por vocês mesmos. Se há algo sobre o qual o Presidente não falou, então não saberíamos o que fazer a respeito’… Após o Movimento da Revolução Cultural, muitos críticos do Presidente Mao, em vez de criticarem de boa-fé e refletirem cientificamente para resumir as lições da história do Partido, lançaram ataques maliciosos e negaram tudo. Houve até pessoas como Li Zhisui que usaram a sua posição e conexões passadas para enganar os desinformados, fazendo de tudo para caluniar e manchar o Presidente Mao.”16
Na transição pós-1976, Hua Guofeng reafirmou que a bandeira de Mao Zedong permanecia como a garantia suprema de vitória do proletariado chinês.
“Integrando a verdade universal do marxismo-leninismo com a prática concreta da revolução, ele formulou para o nosso Partido a única linha, princípios e políticas corretos para cada etapa da revolução chinesa. Ele herdou, defendeu e desenvolveu o marxismo-leninismo nas lutas contra o oportunismo de Direita e de ‘Esquerda’ de todas as descrições… Todas as realizações alcançadas pelo nosso Partido durante a revolução democrática e a revolução socialista devem ser todas atribuídas à liderança do Presidente Mao. A história prova que a bandeira do Presidente Mao é uma grande bandeira sob a qual o proletariado lidera o povo na luta unida rumo à vitória.”17
Por fim, Jiang Zemin, ao discursar no centenário do nascimento de Mao Zedong em 1993, articulou a avaliação institucional consolidada do CPC, definindo as contribuições de Mao como primárias e seus erros como secundários.
“A maior realização histórica do Camarada Mao foi aplicar os princípios básicos do marxismo-leninismo às realidades concretas da China ao liderar o Partido e o povo na descoberta de um caminho correto na revolução nova-democrática… O Camarada Deng apontou que as contribuições do Camarada Mao são primárias e os erros dos seus anos posteriores são secundários, e que ele os cometeu apenas porque agiu contrariamente às suas próprias ideias corretas. Os seus erros foram os de um grande revolucionário e de um grande marxista. O Camarada Deng criticou resolutamente a tendência errônea de usar os erros que o Camarada Mao cometeu nos seus anos posteriores como pretexto para negar fundamentalmente as suas contribuições e o Pensamento Mao Zedong… Não podemos baixar a bandeira do Pensamento Mao Zedong; fazer isso seria um enorme erro histórico.” 18
XIII. ZHOU ENLAI: A LEALDADE ESTRATÉGICA, A APLICAÇÃO DA LINHA POLÍTICA E A CONSTRUÇÃO DO ESTADO SOCIALISTA
Zhou Enlai (Chou En-lai), Primeiro-Ministro da República Popular da China desde a sua fundação até 1976, articulou ao longo de sua trajetória pública uma defesa inflexível da autoridade política e teórica de Mao Zedong. Nos discursos oficiais comemorativos e nos relatórios de governo, Zhou Enlai atribuiu sistematicamente as grandes conquistas da revolução democrática, da resistência ao imperialismo e da construção econômica à liderança esclarecida do Presidente Mao e ao guia invencível do Pensamento Mao Zedong.
Durante as comemorações do 20º Aniversário da Fundação da República Popular da China em 1969, Zhou Enlai destacou a unidade inquebrantável em torno do Comitê Central chefiado por Mao Zedong, reafirmando que a orientação do líder supremo era o único caminho para a consolidação da ditadura do proletariado.
“Em nome do nosso grande líder Presidente Mao e de seu próximo companheiro de armas Vice-Presidente Lin Biao, e em nome do Comitê Central do Partido Comunista da China, estendo as mais calorosas saudações à classe trabalhadora, aos camponeses pobres e médio-pobres, aos Guardas Vermelhos, aos quadros revolucionários e aos intelectuais revolucionários de todas as nacionalidades do nosso país! Unamo-nos ainda mais intimamente ao redor do Comitê Central do Partido tendo o Presidente Mao como seu líder e o Vice-Presidente Lin Biao como seu vice-líder, mantenhamos bem alta a grande bandeira vermelha do Marxismo-Leninismo-Pensamento Mao Tsetung, perseveremos no movimento de massas para o estudo vivo e aplicação do Pensamento Mao Tsetung, e continuemos a avançar para ganhar vitórias ainda maiores!”19
Além das celebrações públicas, a atuação de Zhou Enlai sob a orientação de Mao Zedong foi caracterizada pela aplicação prática do princípio revolucionário de “empunhar a revolução e promover a produção”. Segundo os registros históricos das memórias de Qi Benyu, Mao Zedong confiava pessoalmente a Zhou Enlai a responsabilidade de manter a continuidade da produção nacional e a estabilidade econômica durante os períodos de turbulência e transformação social.
Em um país do tamanho do nosso, a produção não pode ser interrompida por um único momento. Lembro-me de onde Engels disse que, quando a produção para por dois dias, a sociedade entra em caos e não consegue se sustentar; isto é uma questão de senso comum. É por isso que o Presidente Mao sempre dizia ao Primeiro-Ministro Zhou Enlai para assumir o comando da produção, e pedia ao Grupo da Revolução Cultural Central e ao Primeiro-Ministro que trabalhassem bem juntos, sob o lema ‘Empunhar a revolução e promover a produção’, para que nem a revolução nem a produção fossem perdidas.”20
No Relatório sobre o Trabalho do Governo apresentado na 4ª Assembleia Popular Nacional em 1975, Zhou Enlai reiterou que o desenvolvimento das forças produtivas e a realização das “quatro modernizações” dependiam fundamentalmente de manter a revolução socialista no campo da superestrutura e seguir com firmeza a linha proletária do Presidente Mao.
XIV. JIANG QING: A LUTA IDEOLÓGICA NA ARTE, A REVOLUÇÃO NA ÓPERA DE PEQUIM E A FIDELIDADE TESTADA NO FOGO
Jiang Qing (Chiang Ching), companheira de vida de Mao Zedong desde os dias difíceis de Yan’an em 1938, assumiu um papel proeminente na frente cultural e artística do Partido, tornando-se a principal impulsionadora da transformação revolucionária do teatro e das artes. Nas fontes históricas, a atuação de Jiang Qing é apresentada como a aplicação direta da teoria de Mao formulada nas Intervenções no Fórum de Yan’an sobre Literatura e Arte.
O estudo histórico sobre a Revolução na Ópera de Pequim destaca o discurso pronunciado por Jiang Qing em julho de 1964, intitulado Sobre a Revolução na Ópera de Pequim, como o marco inicial do ataque proletário contra o revisionismo na literatura e na arte.
“A declaração de guerra contra a linha revisionista na literatura e na arte foi lançada em julho de 1964, quando a Camarada Chiang Ching proferiu seu discurso ‘Sobre a Revolução na Ópera de Pequim’ em um fórum de participantes do Festival de Ópera de Pequim sobre Temas Contemporâneos. Este importante discurso está repleto do espírito marxista de ir contra a maré e tornou-se uma declaração de guerra contra a linha revisionista. Durante uma década, ele inspirou os combatentes revolucionários da arte a marchar vitoriosos para consolidar a ditadura do proletariado. A antiga Ópera de Pequim era uma fortaleza teimosa das classes proprietárias de terras e capitalistas. Apenas retratando bem os heróis proletários típicos podemos usar o Marxismo-Leninismo-Pensamento Mao Tsetung para criticar as doutrinas de Confúcio e Mêncio e transformar o mundo à imagem do proletariado.”21
Nas memórias de Qi Benyu, a lealdade de Jiang Qing a Mao Zedong é ressaltada não apenas no âmbito ideológico e cultural, mas também nas provações históricas enfrentadas pelo Partido em períodos de guerra aberta. Qi Benyu relembra a coragem demonstrada por Jiang Qing ao permanecer ao lado de Mao no norte de Shaanxi em 1947, quando as forças reacionárias do Kuomintang ocuparam Yan’an.
“Em março de 1947, quando Hu Zongnan liderou 200.000 tropas de elite do Kuomintang para invadir Yan’an, o Presidente liderou o Comitê Central para lutar no norte de Shaanxi, e Jiang Qing permaneceu ao lado do Presidente Mao nos três destacamentos do Comitê Central. Sem mencionar qualquer outra coisa, apenas pelo fato de ela ter se juntado à revolução chinesa no momento mais difícil e ter cuidado do Presidente no momento mais difícil do Presidente, eu não poderia culpá-la por nada. Ela cresceu bebendo a teoria revolucionária do Presidente e dedicou toda a sua energia a servir à linha política do Presidente Mao na revolução cultural.”22
Adicionalmente, no discurso Fazer Novas Contribuições para o Povo, proferido por Jiang Qing em 1967 perante os quadros militares a conselho direto de Mao, ela usou alusões históricas sugeridas pelo próprio Presidente para exortar os velhos revolucionários a educarem seus filhos, continuarem a revolução sob a ditadura do proletariado e nunca viverem do capital político passado.
CONCLUSÃO
Passados cinquenta anos de sua morte, Mao Zedong é lembrado como o herói nacional que reunificou a China, dobrou a expectativa de vida da população, erradicou o analfabetismo de massa e transformou o país em uma grande potência global soberana. O seu princípio de “buscar a verdade nos fatos” (Shi shi qiu shi) continua a guiar o desenvolvimento socialista. Mesmo aqueles que lhe negaram alguns acertos, tanto pela esquerda quanto pela direita no PCCH, foram obrigados a reconhecer que sem ele, nenhuma vitória teria sido possível ainda nos dias de hoje.
1 SNOW, Edgar. A estrela vermelha brilha sobre a China. A Gênese de um Comunista Chamado Mao Zedong. São Paulo: Autonomia Literária, 2021. p. 135-136.
2 ZHONG, Wenxian. Mao Zedong Biography, Assessment, Reminiscences. A Brief Biography of Mao Zedong. volume 1. Pequim: Foreign Languages Press, 1986. p. 2-3..
3 ZHONG, Wenxian. Mao Zedong Biography, Assessment, Reminiscences. A Brief Biography of Mao Zedong. volume 1. Pequim: Foreign Languages Press, 1986. p. 5-6.
4 ZHOU, Enlai. Mao Zedong Biography, Assessment, Reminiscences. Learn from Mao Zedong. volume 1. Pequim: Foreign Languages Press, 1986. p. 79.
5 DENG, Xiaoping. Mao Zedong Biography, Assessment, Reminiscences. On Mao Zedong and Mao Zedong Thought. volume 1. Pequim: Foreign Languages Press, 1986. p. 89-92..
6 SNOW, E. A estrela vermelha brilha sobre a China. Entrevista sobre o Movimento de Libertação Nacional. volume 1. São Paulo: Autonomia Literária, 2021. p. 272-273.
7 ZEDONG, Mao. Obras Completas de Mao Zedong (Mao Zedong Quanju). Fala sobre a Produção Mercantil e a Lei do Valor. volume 41. Pequim: Renmin Chubanshe, 1959. p. 289-290.
8.ZEDONG, Mao. Obras Escolhidas de Mao Tse-tung. Classes e Luta de Classes na Sociedade Socialista. volume 4. Pequim: Edições em Línguas Estrangeiras, 1961. p. 21.
9 LIU, Shaoqi. Selected Works of Liu Shaoqi. Written in Celebration of the 22nd Anniversary of the Founding of the Communist Party of China. volume 1. Pequim: Foreign Languages Press, 1984. p. 294.
10 LIU, Shaoqi. Selected Works of Liu Shaoqi. On the Party. volume 1. Pequim: Foreign Languages Press, 1984. p. 334.
11 LIU, Shaoqi. Address in Celebration of the 40th Anniversary of the Communist Party of China. volume único. Pequim: Foreign Languages Press, 1961. p. 24.
12 ZHU, De. Selected Works of Zhu De. On the Battle Fronts of the Liberated Areas. volume único. Pequim: Foreign Languages Press, 1986. p. 170, 172.
13 ZHU, De. Selected Works of Zhu De. Views on the Economic Work in Central Hebei. volume único. Pequim: Foreign Languages Press, 1986. p. 289.
14 PENG, Dehuai. Memoirs of a Chinese Marshal. Smashing the Third “Encirclement and Suppression” Campaign Against Northern Shaanxi. volume único. Pequim: Foreign Languages Press, 1984. p. 383.
15 Idem. Ibidem.
16 QI, Benyu. Qi Benyu’s Memoirs. Chapter 3 & Chapter 28. volume único. BannedThought.net, 2023. p. 126, 619.
17 HUA, Guofeng. Continue the Revolution Under the Dictatorship of the Proletariat. volume único. Pequim: Foreign Languages Press, 1977. p. 1-2.
18 JIANG, Zemin. Selected Works of Jiang Zemin. Speech at a Meeting Commemorating the Centenary of Comrade Mao Zedong’s Birth. volume 1. Pequim: Foreign Languages Press, 2010. p. 332, 338.
19 CHOU, En-lai. Fight for the Further Consolidation of the Dictatorship of the Proletariat. Premier Chou En-lai’s Speech at the Reception Celebrating the 20th Anniversary of the Founding of the People’s Republic of China, volume único. Pequim: Foreign Languages Press, 1969. p. 14-15.
20 QI, Benyu. Qi Benyu’s Memoirs. Chapter 22: Cultural Revolution and Economic Production, volume único. BannedThought.net, 2023. p. 473-474.
21 CHU, Lan. And Mao Makes 5. A Decade of Revolution in Peking Opera, volume único. Nova York: Banner Press, 1978. p. 150-152.
22 QI, Benyu. Qi Benyu’s Memoirs. Chapter 5: In Memory of Chairman Mao and the Early Years, volume único. BannedThought.net, 2023. p. 64, 137.
Liga Comunista Brasileira – LCB
09 de setembro de 2026