Só tem um Caminho Possível: Seguir Adiante!
Por Amauri Soares – Secretário de Organização da LCB
Antes de mais nada, temos uma eleição a ganhar, em menos de três semanas. Fazer em três semanas o que imaginávamos desde há muito que não precisava ser feito. Reconhecer que a esquerda em geral fez pouca campanha no primeiro turno, esperando que Lula vencesse por ele próprio. Só na última semana os materiais chegaram, e só na última semana as forças populares colocaram a cara no sol. É preciso mudar isso urgentemente!
Evidente que podemos reverter esses 2,2 milhões de votos a mais que o candidato da extrema direita fez, e para isso, basta que os milhões de militantes de esquerda falem com as pessoas no seu entorno, aquelas pessoas geralmente invisíveis aos olhos e mentes “ilustradas”. Perdemos o primeiro turno porque, diferente do que pensamos, quem apoia Bolsonaro tem uma rede de relações sociais, políticas e religiosas que vai até o Brasil profundo, e até os bairros mais pobres. É fácil e confortável dizer que são as milícias, que é a violência, e isso também não deixa de ser verdade. Mas é fato que tem muito trabalho social da igreja, que vai aos barracos nos momentos em que boa parte da militância de esquerda está indo para as baladas.
Podemos, devemos e precisamos atuar para reverter os 2,2 milhões de votos, e temos menos de três semanas! Trabalhar para diminuir a abstenção e convencer os votos que foram apenas na onda. Se alcançarmos uma significativa parte das abstenções, viraremos esse jogo. E é um trabalho necessário, em defesa da soberania nacional, das nossas florestas, dos direitos da classe trabalhadora, da manutenção do serviço público que temos. Será uma tragédia para o povo brasileiro se a extrema direita terminar de vencer essa eleição, porque na cúpula da campanha adversária estão todos os principais inimigos da classe trabalhadora e do povo pobre, está o imperialismo dos Estados Unidos ávido por transformar o Brasil em uma colônia completa, e está também a cúpula do crime organizado, da lavagem de dinheiro, da violência como método de organização social.
A demanda do tempo histórico é: vencer o segundo turno, no dia 25 de outubro, reelegendo Lula, e mobilizar o país para garantir que o governo exista, porque não tenhamos dúvidas: a extrema direita está preparada e com força para manietar as instituições e instaurar um Estado totalitário que imponha a barbárie.
Ao mesmo tempo, e desde já, não olvidemos: é necessário reorganizar a esquerda, tanto para os processos eleitorais quanto para a luta cotidiana. A pressão da extrema direita fez a conjuntura evoluir para uma situação em que anulamos as variadas perspectivas que existiam na esquerda brasileira desde há muito. Ficamos todos dependentes da força eleitoral do Lula, e este, pela conjuntura e por suas próprias características, foi caminhando para alianças cada vez mais amplas. Tanto é fato que as lideranças mais destacadas das lutas populares dos últimos 20 anos, estavam ontem dividindo palanques com destacados representantes do agronegócio e de outros monopólios privados. E não foi uma aliança tática do segundo turno, e sim a continuidade da convivência comum em ministérios e outras estruturas do governo. Ao mesmo tempo em que essas alianças, que deveriam ser apenas táticas, se tornam o panorama constante, ampliamos muito a lógica de que “são todos iguais”. E não fica nenhum percentual residual de votos e nenhuma ideia nova para serem agregadas no segundo turno.
A auto declarada esquerda radical não produz mais que sectarismo e autofagia. Três ou quatro candidaturas que, somadas, não chegam a 0,2% dos votos. Se esses próprios setores não conseguem um mínimo de unidade sequer para fazer uma chapa única entre eles, se toda a esquerda com vida institucional adere a uma chapa tão ampla que cabe até parte do agronegócio e do sistema financeiro, como o povo vai ter esperança em algum setor da esquerda? Em médio e longo prazo, essas táticas vão tornando maiores e mais profundas as nossas derrotas. Isso também precisa ser revertido!
Mas, não antecipando nenhuma pauta, sejamos realistas e diretos: é hora de todo mundo entrar na campanha nesse segundo turno, e dar um jeito de conquistar os votos necessários para reeleger Lula, evitando o mal maior, que seria a vitória da extrema direita. Ninguém tem tempo para tristeza ou melancolia. Levanta e vai contribuir para a vitória necessária e urgente!
Liga Comunista Brasileira – LCB
05 de outubro de 2026