FRANCISCO MANOEL CHAVES – HERÓI DO POVO BRASILEIRO
Desde 1989 o Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, entrega a Medalha Chico Mendes a dez pessoas ou entidades cuja luta é marcada pela defesa da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Neste ano de 2026, um dos homenageados foi Francisco Manoel Chaves, assassinado pelo exército brasileiro na Guerrilha do Araguaia. Poucas são as informações sobre sua origem e não foram localizados seus parentes.
Sabe-se que Francisco Manoel Chaves era negro, nascido em Minas Gerais em 18 de abril 1906, de origem camponesa e pertenceu à Marinha de Guerra. Na década de 1930 iniciou sua militância política e participou da ANL (Aliança Nacional Libertadora). Com a derrota do levante militar de 1935 foi preso, torturado barbaramente, condenado a cumprir pena na Ilha Grande e expulso da Marinha em 1937.
Libertado no início da década de 1940, participou da organização da Conferência da Mantiqueira, realizada em 1943, momento marcante na reorganização do PCB, depois dos duros golpes sofridos sob a ditadura do Estado Novo. Na Conferência da Mantiqueira, Francisco é eleito como suplente do Comitê Central. Com o golpe de 1964, rompe com o PCB e adere ao PCdoB. Integra-se já com quase 60 anos à Guerrilha do Araguaia, onde morre numa emboscada em 21 de setembro de 1972. Os restos mortais que se presumem ser de Francisco, encontram-se num cofre na Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília.
A entrega da Medalha Chico Mendes a esse bravo brasileiro, autêntico filho do povo, deve ser saudada. Tal como Francisco, muitos foram os operários, camponeses, estudantes e intelectuais que entregaram seu bem mais precioso, sua vida, à causa da luta pela libertação do Brasil da exploração capitalista e imperialista.
Por não terem sido localizados parentes vivos, quem recebeu a medalha por Francisco foi Igor Grabois, secretário-geral da Liga Comunista Brasileira, cuja família se destaca pela ativa militância comunista desde a década de 1930 e por três de seus membros serem desaparecidos políticos da ditadura militar: Maurício Grabois, André Grabois e Gilberto Olímpio.
No discurso de entrega, o camarada Igor Grabois fez questão de destacar que Francisco “permaneceria anônimo se não fosse a gente aqui exercer essa memória. Essa medalha tem de ser recebida por todos nós. Nós que vamos garantir a permanência do nome, da história e da contribuição de Francisco Chaves. Que além de ser um militante comunista que viveu boa parte da sua atuação na clandestinidade (…) foi morrer na forma mais elevada da luta do povo que foi a luta armada. Então, dizer aqui por memória, verdade e justiça, Francisco Manoel Chaves presente! E que nós aqui, preservemos e divulguemos a memória e a contribuição desse militante comunista negro e que morreu lutando contra a ditadura militar, pela democracia e pelo socialismo. Viva Francisco Manoel Chaves!”.
Liga Comunista Brasileira – LCB
1 de abril de 2026