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JOSÉ MARTÍ – O APÓSTOLO DA REVOLUÇÃO CUBANA

A 28 de janeiro se comemora o natalício de José Martí, o Apóstolo da Revolução Cubana. Nascido em Havana, no ano de 1853, Martí desde cedo se dedicou à literatura e à libertação de sua Pátria. Aos 15 anos, publicou o jornal La Pátria Libre.

Era o ano de 1868, início da Guerra dos Dez Anos (1868-1878), marco da luta pela independência de Cuba do domínio espanhol. Martí foi preso e condenado a trabalhos forçados, chegando a ser torturado. Seus pais conseguiram, devido à sua pouca idade, transformar a sentença em deportação para a Espanha, se iniciando um longo período de exílio. Na Espanha, Martí estudou direito e filosofia, se ligou aos círculos republicanos e ao movimento operário. Em 1878, José Martí retorna à Cuba, permanecendo por pouco tempo. Em 1880, se estabelece em Nova Iorque, onde publica as quatro edições da revista infantil La Edad del’Oro, que se dedicava a instruir as crianças acerca dos heróis das revoluções do Continente. Exerce intensa atividade literária, jornalística e educacional. Se junta à Liga de Nova York, dedicada à educação de trabalhadores cubanos e porto-riquenhos.

Em 1892 funda o Partido Revolucionário Cubano, reunindo os remanescentes da Guerra de 1868-78. Escreve, em 1895, em co-autoria com Máximo Gomez, o Manifesto de Montecristi, referência à cidade dominicana onde foi redigido. Nesse documento, estabelece as bases políticas e teóricas da Revolução Cubana. Retorna à Cuba no mesmo ano de 1895 para dirigir a insurreição contra o domínio espanhol. Morre a 18 de maio, em combate na cidade Dos Ríos, na sua Cuba natal.

José Martí em seu escritos políticos, poemas, contos infantis construiu muito da identidade nacional de Cuba. O escritor Luis Lezama Lima disse sobre Martí que ” o mistério que nos acompanha”. Martí foi um dos grandes revolucionários do nosso continente. Não se entende Cuba e a América Latina sem conhecer a sua vida e a sua obra.

Duas pátrias

(José Martí – Tradução de Olga Savary)

Duas pátrias eu tenho: Cuba e a noite.

Ou as duas são uma? Nem bem retira

sua majestade o sol, com grandes véus

e um cravo à mão, silenciosa

Cuba qual viúva triste me aparece.

Eu sei qual é esse cravo sangrento

que na mão lhe estremece! Está vazio meu peito, destruído está e vazio

onde estava o coração. Já é hora

de começar a morrer. A noite é boa para dizer adeus. A luz estorva

e a palavra humana. O universo

fala melhor que o homem.

Qual bandeira que convida a batalhar, a chama rubra

das velas flameja. As janelas

abro, já encolhido em mim. Muda, rompendo

as folhas do cravo, como uma nuvem

que obscurece o céu, Cuba, viúva, passa.

Para quem quiser conhecer um pouco mais a obra de Martí indicamos o filme Martí, el ojo de canário, produção cubana de 2010 dirigida por Fernando Perez, que retrata os primeiros anos de vida de Martí no contexto dos anos iniciais da Guerra dos Dez Anos (1868-1878): https://www.youtube.com/watch?v=QVo7wsIFE44.

Publicamos também o link da biblioteca da Clacso, onde se pode acessar gratuitamente as obras completas de José Martí em 32 volumes: https://libreria.clacso.org/biblioteca_jose_marti/?&an=1360

Liga Comunista Brasileira – LCB

04 de fevereiro de 2026