MOBILIZAR PELO FIM DA ESCALA 6 X 1 COM REDUÇÃO DA JORNADA E SEM REDUÇÃO DOS SALÁRIOS
O governo Lula prometeu concentrar esforços no Congresso para fazer avançar a PEC 8/2025 do fim da escala 6 x 1 ainda no primeiro semestre. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado já aprovou a proposta. E o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, considerou o debate como inadiável, prometendo o fim da tramitação da PEC até maio, para encaminhá-la à votação no plenário. E aqui mora um grave perigo aos trabalhadores.
O Congresso, formado em grande maioria por deputados e senadores ligados aos interesses patronais, pode até topar o fim da escala 6 x 1. Mas, não quer saber de redução da jornada de trabalho sem redução dos salários. Assim, o governo pode, alegando realismo político, limitar-se a negociar o fim da escala 6 x 1, sem indicar a necessidade de se reduzir a jornada de trabalho.
Os patrões, como sempre, empenham-se em criar um cenário de caos econômico se o fim da escala 6 x 1 for aprovada. Essa é uma prática comum da classe dominante brasileira. Ela também alardeava o caos e a ruína econômica se a abolição da escravatura acontecesse. Essa mesma classe dominante considerou desastrosa para o país a aprovação do 13º salário em 1962. Com o fim da escala 6 x 1 não é diferente. Os patrões anunciam aumento de custos, elevação dos preços ao consumidor e perda de competitividade.
Contudo, na contramão do pânico alardeado pelos patrões, a Nota Técnica 123 do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) desmonta todas as teses de aumento dos custos com o fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada de trabalho. De acordo com a pesquisa, o impacto nos custos operacionais será pequeno e pode ser absorvido nos setores econômicos que mais empregam. Para citar alguns, a pesquisa indica impacto de 0,74% na indústria alimentícia, 1,04% no comércio varejista, 0,41% no comércio atacadista e 2,90% em obras de infraestrutura.
A mobilização da classe trabalhadora se torna nesse momento essencial para garantir o fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários. A meta é conquistar a escala 4 x 3 com redução da jornada para 30 horas semanais sem redução dos salários. Mas, sem mobilização, ou aguardando as negociações entre governo e Congresso, podemos no máximo ver a escala 6 x 1 ser substituída pela escala 5 x 2, mas sem a redução da jornada, ou com uma redução pequena e aquém da expectativa da classe trabalhadora.
Como o tema volta agora com força é preciso retomar as mobilizações e criar caldo político, pressionar o Congresso e dar força ao governo para não negociar uma proposta rebaixada. A derrota da ameaça fascista não virá com a defesa em abstrato da democracia. Para as massas trabalhadoras, democracia é sinônimo de igualdade, progresso social e ampliação de direitos. Por isso, a luta pelo fim da escala 6 x 1 é essencial se quisermos impor uma derrota à extrema-direita.
Quem tiver interesse em acessar a Nota Técnica do Ipea segue o link: MUDANÇAS NA JORNADA E ESCALA DE TRABALHO: ELEMENTOS EMPÍRICOS PARA O DEBATE https://repositorio.ipea.gov.br/entities/publication/2b1afaf5-27b2-4e47-83d2-c43c657b6c91/full- chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/7083c3f2-81ee-48e6-a525-c9fe4b56d5e7/contente.
Liga Comunista Brasileira – LCB
20 de fevereiro de 2026