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82 ANOS DA LIBERTAÇÃO DE GRODNO PELO EXERCITO VERMELHO

Por Carlos Magnum

A libertação de Grodno (atual Hrodna, Belarus) pelas tropas do Exército Vermelho ocorreu em 16 de julho de 1944, durante a Operação Bagration, uma grande ofensiva soviética da Segunda Guerra Mundial.

A cidade permaneceu sob ocupação alemã por 1.128 dias. Sua libertação integrou o avanço soviético que destruiu o Grupo de Exércitos Centro da Wehrmacht e abriu caminho para a libertação da Polônia e o avanço em direção à Prússia Oriental.

A libertação da cidade de Grodno em julho de 1944, inserida no contexto da Operação Bagration, foi uma grande ofensiva estratégica da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) durante a Segunda Guerra Mundial. O avanço do Exército Vermelho através do território bielorrusso, a destruição das linhas de defesa do Terceiro Reich e a subsequente comemoração formal em Moscou, caracterizada pelas salvas de artilharia simbolizavam a reconquista da soberania nacional.

I. O CONTEXTO ESTRATÉGICO DA OPERAÇÃO BAGRATION E A QUEDA DO GRUPO DE EXÉRCITOS CENTRO

A libertação de Grodno não foi um evento isolado, mas o ápice de uma manobra de “Estratégia em Profundidade” que visava o esmagamento total das forças alemãs estacionadas na Bielorrússia. No verão de 1944, o Exército Vermelho demonstrou uma superioridade técnica e organizativa que superou os mitos de invencibilidade da Wehrmacht. Conforme detalhado nas ordens de comando de Stálin, a ofensiva de verão alterou permanentemente o equilíbrio de forças na Frente Oriental:

“Neste ano, os exércitos soviéticos desfecharam golpes ininterruptamente sobre o inimigo. No inverno de 1944, o Exército Vermelho alcançou vitórias notáveis na Ucrânia Oriental e derrotou os alemães em Leningrado. Na primavera deste ano, libertou a Crimeia. No verão de 1944, nossos exércitos causaram grandes derrotas aos hitleristas, o que trouxe uma mudança radical da situação na frente de combate. O Exército Vermelho rompeu as poderosas defesas do inimigo no istmo da Carélia, e também entre os lagos Ládoga e Onêguin, e obrigou a Finlândia a sair do bloco hitlerista. No combate histórico em terras bielorrussas, as unidades do Exército Vermelho destruíram completamente o grupamento central das tropas alemãs, composto de três exércitos, matando e aprisionando 540 mil soldados oficiais germânicos. […] Após a campanha de verão de 1944, o Exército Vermelho em meio a combatentes avançou de Kishinev até Belgrado mais de 900 quilômetros, de Zhlobin até Varsóvia mais de 600 quilômetros e de Vitebsk até Tilsit, 550 quilômetros. A guerra está sendo conduzida agora no território da Alemanha fascista.”1

Este avanço vertiginoso, que incluiu a captura de Grodno em 16 de julho de 1944, permitiu que as tropas soviéticas alcançassem as fronteiras da Prússia Oriental, transformando o solo bielorrusso em uma plataforma para o assalto final ao coração do imperialismo alemão. A rapidez da operação frustrou as tentativas nazistas de estabilizar uma linha de frente nos rios Dnieper e Neman, forçando-os a uma retirada caótica que resultou na perda de quase três quartos das terras soviéticas anteriormente ocupadas.

II. A BATALHA POR GRODNO E A RUPTURA DAS LINHAS DE DEFESA NEMA

Grodno, um nó ferroviário e rodoviário de grande importância para as comunicações alemãs no Báltico e na Polônia, foi defendida com fanatismo pelas divisões remanescentes do Grupo de Exércitos Centro. No entanto, a aplicação sistemática da ciência militar de Stalin, baseada na coordenação entre blindados, aviação e artilharia de massa, permitiu ao Exército Vermelho romper as fortificações em tempo recorde. A historiografia contemporânea ressalta que o treinamento de novos quadros militares, como Jukov e Vasilevsky, foi decisivo para a execução dessas manobras complexas.

O memorando pedia o afastamento do chefe da administração da força aérea, Rychagov, e que diversos oficiais comandantes fossem julgados por corte marcial. Stalin aprovou a proposta, acrescentando: “Concordo, com a única observação de que o Camarada Proskurov seja também incluído na lista e julgado juntamente com o Camarada Mironov [ambos altos oficiais antigos de Estado-maior da força aérea]. Esta é a coisa honesta e justa a fazer.”75

Houve também dificuldades na produção de tanques, artilharia e munição. Os projetistas Koshkin, Morozov e Kucherenko criaram o excelente tanque médio T-34 em curto tempo, porém, juntamente com o tanque pesado KV, apenas cerca de 2 mil carros de combate estavam prontos quando a guerra começou. Os foguetes foram inventados pelos cientistas soviéticos antes da guerra, mas a produção em série de quantidades significativas só começou durante a guerra, quando a Katyusha, uma plataforma capaz de lançar dezesseis granadas em dez segundos, proporcionou poder de fogo muito eficiente às forças soviéticas. 2

A libertação de territórios como Grodno, a Bielorrússia ocidental e a Galícia representou o cumprimento de um objetivo político de reunificação nacional. Segundo as análises de Ludo Martens e Yuri Zhukov, as massas bielorrussas e ucranianas receberam o Exército Vermelho com entusiasmo, vendo nos soldados soviéticos os seus autênticos libertadores contra o terror e a opressão dos proprietários de terras e dos colaboradores fascistas. A expulsão dos invasores de cidades como Grodno, Minsk e Vilnius restituiu a liberdade a dezenas de milhões de cidadãos que sofriam sob o jugo hitlerista.

III. AS SALVAS DE VITÓRIA EM MOSCOU: O RITUAL DA GLÓRIA MILITAR

A cada grande conquista estratégica, o Supremo Comando em Moscou instituía o ritual das salvas de artilharia, uma prática que visava elevar o moral da retaguarda e imortalizar os feitos do front. Para a libertação de cidades-chave como Grodno, as baterias de canhões na capital russa disparavam em intervalos regulados, acompanhadas pela leitura de ordens do dia assinadas por Stálin. Este costume, iniciado em 1943 após as vitórias em Orel e Belgorod, tornou-se o termômetro do avanço soviético rumo a Berlim.

A ordem do dia que comemorava a libertação da terra soviética frequentemente incluía diretivas específicas para os comandantes de front e saudava o papel do Partido Comunista na educação do soldado soviético. Conforme os registros estatais:

“Em comemorações às vitórias históricas do Exército Vermelho no front e aos grandes êxitos dos operários, camponeses e intelectuais na retaguarda, em homenagem à libertação da terra soviética dos invasores fascistas alemães, ORDENO: Que hoje, às 20 horas, o dia do 27◦ aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro seja saudado com 24 salvas de artilharia em Moscou, Leningrado, Kiev, Minsk, Petrozavodsk, Tallin, Riga, Vilnius, Tbilissi, Sebastopol e Lvov. Viva o 27◦ aniversário da Revolução Socialista de Outubro! Viva a nossa Pátria Soviética livre! Viva o nosso Exército Vermelho e a nossa Marinha de Guerra!”3

Embora Grodno especificamente recebesse suas salvas em julho, a estrutura dessas celebrações era padronizada para refletir a unidade indestrutível entre a frente e a retaguarda, celebrando o fato de que a indústria soviética fora capaz de produzir o aço e o fogo necessários para esmagar o exército mais poderoso do mundo capitalista.

IV. O IMPACTO DA LIBERTAÇÃO NA GEOPOLÍTICA DO PÓS-GUERRA

A retomada de Grodno e o subsequente avanço sobre a Linha Curzon estabeleceram os fatos consumados que seriam debatidos nas conferências de Yalta e Potsdam. A restauração da fronteira soviética em toda a sua extensão, do Mar Negro ao Mar de Barents, foi apresentada por Stálin como a prova da viabilidade e superioridade do Estado socialista multinacional. A derrota do bloco fascista em solo bielorrusso abriu caminho para a libertação da Polônia, da Tchecoslováquia e para a criação das democracias populares do Leste Europeu.

A historiografia aponta que a vitória soviética em 1944 foi tão avassaladora que os próprios líderes aliados, como Churchill e Roosevelt, viram-se obrigados a reconhecer a dívida da civilização europeia para com o Exército Vermelho. O êxito da reconstrução socialista, que já em 1948 superaria os níveis de produção pré-guerra apesar da destruição de 70 mil aldeias, teve seus alicerces lançados justamente no esforço titânico de 1944. Grodno, portanto, figura como um marco geográfico e simbólico da transição da defensiva desesperada para a ofensiva triunfal que culminaria no hasteamento da Bandeira Vermelha sobre o Reichstag.

V. CONCLUSÃO E SÍNTESE DO AVANÇO NA BIELORRÚSSIA

Em suma, a libertação de Grodno em 1944 simboliza a maturidade operacional do Exército Vermelho e a eficácia da liderança stalinista na condução de uma guerra total de libertação. O avanço estratégico na Bielorrússia não apenas limpou o território nacional da “podridão hitlerista”, mas consolidou a URSS como a potência militar suprema do continente europeu. As salvas de artilharia em Moscou não eram apenas barulho de pólvora; eram a voz de um povo que, tendo suportado 27 milhões de mortes, anunciava ao mundo que a “Causa de Outubro” saíra vitoriosa do seu maior teste histórico. A recuperação de Grodno e das províncias ocidentais garantiu a profundidade estratégica necessária para que Moscou jamais voltasse a ser ameaçada, selando o destino de Hitler muito antes da queda física de Berlim.

REFERÊNCIAS:

  • MARCOU, Lilly. A Vida Privada de Stalin. Rio de Janeiro: Zahar, 1991.

  • ROBERTS, Geoffrey. Stalin’s Wars: From World War to Cold War, 1939–1953. New Haven: Yale University Press, 2006.

  • SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. O Exército Vermelho na sua hora mais difícil 1941-1943 um breve ensaio de polemologia. Rio de Janeiro: s.n., 2022.

  • STALIN, Ióssif Vissariónovitch. Obras Escolhidas. São Paulo: Edições Ciências Revolucionárias, 2021.

  • STALIN, Ióssif Vissariónovitch. Сочинения (Sochineniia). volume 15. Moscou: Izdátelstvo Pissátel, 1997.

  • VOLKOGÓNOV, Dmitri. Box Stálin. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

1 STALIN, Ióssif Vissariónovitch. Obras Escolhidas. Ordem do Supremo Comandante-em-Chefe nº 220. volume único. São Paulo: Edições Ciências Revolucionárias, 2021. p. 646-647.

2 VOLKOGONOV, Dmitri. Stalin: Triumph and Tragedy. Londres: Weidenfeld & Nicolson, 1991, p. 36.

3 STALIN, Ióssif Vissariónovitch. Сочинения (Sochineniia). Приказ Верховного Главнокомандующего 7 ноября 1944 года № 220. volume 15. Moscou: Izdátelstvo Pissátel, 1997. p. 171 [Tradução adaptada conforme fonte swlenin2.pdf, p. 1111].

Liga Comunista Brasileira – LCB

17 de julho de 2026