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BOLÍVIA É O FAROL DA LUTA POPULAR

Passaram-se apenas seis meses e o governo do presidente boliviano Rodrigo Paz se encontra acuado por uma poderosa mobilização da classe operária, de camponeses e de indígenas. A reação combativa das massas populares bolivianas é uma resposta às medidas neoliberais do governo Paz. Seu projeto é o de aniquilar todas as conquistas econômicas e sociais alcançadas pelo povo boliviano nos últimos 20 anos.

O estopim dos protestos atuais foi a aprovação da Lei 1.720, em 8 de abril. Apresentada pelo senador de extrema-direita e latifundiário da soja Branko Marinkovic, essa lei facilita a classificação voluntária das pequenas propriedades em propriedades médias.

Para as organizações indígenas e camponesas, a Lei 1.720 abrirá caminho à concentração fundiária. Pela lei de terras boliviana, a pequena propriedade não paga impostos e é protegida da penhora para pagamento de dívidas. Sua transformação em média propriedade lhe retira esses direitos, pois passa a ser considerada como voltada à produção mercantil. Fica, assim, sob ameaça de ser dividida ou hipotecada.

Diante dos protestos das comunidades camponesas e indígenas, Rodrigo Paz revogou a Lei 1.720. O recuo do governo não parou as mobilizações. A crise gerada com a promulgação da Lei 1.720 se somou a uma série de outras mobilizações de protesto em repúdio tanto às medidas tomadas pelo governo, como ao cenário de crise econômica. Em fevereiro eclodiu um movimento em protesto pela venda de combustíveis adulterados. Ao mesmo tempo, desde dezembro se iniciaram protestos contra o Decreto Supremo 5.503, que liberaliza a economia, retira subsídios aos combustíveis. O resultado imediato foi um aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel.

Um aspecto do Decreto é a prerrogativa dada à presidência de aprovar projetos na área de mineração, agroindústria e infraestrutura num prazo de 30 dias, sem o necessário debate legislativo. Na prática, institui-se um regime de exceção, justificado pela urgência de enfrentar uma situação de “emergência econômica, financeira, energética e social”.

Com a eclosão dos protestos, o presidente Rodrigo Paz anunciou uma feroz perseguição judicial as principais lideranças populares bolivianas. Para não serem presos, muitos líderes foram para a clandestinidade, inclusive o ex-presidente Evo Morales. Diante da repressão jurídico-policial e do agravamento da crise causado pelas medidas de liberalização, os protestos evoluíram para a reivindicação de renúncia do presidente Rodrigo Paz. Trata-se de uma rejeição ao modelo ultraliberal e autoritário do governo, único meio de impor uma agenda regressiva altamente impopular.

A extrema-direita latino-americana se aproveita cinicamente para acusar os movimentos populares que bloqueiam o país, e cercam a capital La Paz, de estarem a tramar um golpe de Estado contra um presidente “legitimamente eleito”. Evo Morales denuncia Javier Milei, presidente da Argentina, de estar enviando armas ao governo da Bolívia para reprimir os protestos.

Diante da articulação da extrema-direita latino-americana em apoiar o governo Paz, cabe às massas trabalhadoras apoiar a revolta popular do povo boliviano. No momento em que o Congresso nacional brasileiro, formado em sua grande maioria por inimigos do povo, atua como uma força reacionária a travar medidas de interesse popular, como o fim da escala 6 x 1, a revolta do povo boliviano nos ensina que só a revolta popular vai derrotar a ganância do capital.

Fontes:

  1. https://erbol.com.bo/nacional/bolivia-la-ley-de-tierras-del-gobierno-de-paz-detona-un-nuevo-conflicto-con-ambientalistas

  2. https://www.brasildefato.com.br/2026/01/01/bolivia-o-que-diz-o-decreto-supremo-5503-de-rodrigo-paz-que-motiva-protestos-no-pais/ 

Liga Comunista Brasileira – LCB

31 de maio de 2026