CONSTRUIR AS CONDIÇÕES PARA FAZER CRESCER E CONSOLIDAR NA CAMPANHA NOSSA PRESENÇA COMO ORGANIZAÇÃO POLÍTICA COMUNISTA
As eleições de 2026 no Brasil ocorrerão em uma conjuntura de crise profunda do sistema capitalista e do imperialismo em que o novo – a nova ordem multipolar sob hegemonia da China como potência econômica – ainda não nasceu; e o velho, a velha ordem construída no pós segunda guerra mundial, sob hegemonia econômica e militar dos EUA, ainda não morreu.
No Brasil, a partir das contradições conhecidas, geradas no âmbito do capitalismo financeiro, periferia do sistema imperialista, e com uma classe dominante que opera o sistema como herdeira do escravismo colonial e da Casa Grande, essas eleições marcarão, não o fim, mas o esgotamento do lulismo como fenômeno e corrente hegemônica na esquerda brasileira nos últimos 45 anos.
Este é um dado relevantíssimo, que não pode ser deixado à margem de qualquer análise.
Ao mesmo tempo em que o lulismo não deixa herdeiros, vemos a consolidação de uma extrema direita de viés nazifascista, com base de massas e grande capacidade de mobilização popular e com profunda inserção no fundamentalismo religioso evangélico e entre os militares que deram sustentação ao Governo Bolsonaro.
É neste ambiente que devemos situar o debate sobre qual deve ser a tática de uma organização que se reivindica do campo dos comunistas revolucionários e que tem no horizonte, o objetivo estratégico da revolução e do socialismo.
Mais do que nunca é urgente criar, no Brasil, as condições para a emergência de uma esquerda revolucionária, profundamente anti-imperialista, capaz de se apresentar como alternativa de poder político do bloco proletário e popular hegemonizado pelo proletariado das cidades e do campo.
Sem nenhuma ressalva a nomes, penso que devemos fazer com eles um debate sobre os nossos objetivos táticos na conjuntura e a nossa estratégia para:
1 – crescer em influência política no ambiente de uma esquerda domesticada pelo lulismo;
2 – disputar, política e ideologicamente, a base militante das candidaturas proporcionais e majoritárias com as quais tivermos acordo para declarar apoio.
Essa disputa deve começar, desde já, na campanha, continuar no exercício dos mandatos e nos preparar para o momento posterior ao fim do último mandato presidencial sob hegemonia do lulismo.
O apoio tático a candidatos deve estar centrado na nossa tática e amarrado a certos compromissos inegociáveis no campo internacional, tendo em vista a necessidade de educar as massas para o combate ao imperialismo, a partir dos seguintes pontos:
1 – combate ao regime colonial, racista e supremacista do Estado sionista de Israel;
2 – defesa da Palestina livre do Rio ao Mar;
3 – apoio ao eixo da Resistência e a revolução islâmica do Irã, como posto avançado do combate ao imperialismo no Oriente Médio;
4 – defesa da Revolução e do povo cubano e da unidade latino-americana; apoio a insurgência na Bolívia, ao chavismo na Venezuela, profundamente fragilizado com a capitulação pós sequestro do presidente Nicolas Maduro Moro; ao Pacto Histórico na Colômbia, bem como a outras experiências que surjam em qualquer país da América do Sul e do Caribe e que se proponha a confrontar o imperialismo.
No âmbito interno, não basta assumir posições avançadas em temas que tratam da nova ordem multipolar emergente.
É necessária a denúncia e o combate, a partir do parlamento, de práticas que tornaram o Estado brasileiro, mais do que um gestor dos interesses da burguesia, mas de negociações inter-burguesas que descaracterizam qualquer perspectiva republicana, e o consagram como um balcão oficial de negócios privados.
Note-se que o fenômeno das emendas parlamentares se alastrou de alto a baixo, da União aos executivos municipais, e se naturalizou mesmo para candidatos da esquerda liberal, que limitaram seus horizontes de mudança às conquistas de mandatos parlamentares no interior da ordem burguesa de exploração.
Portanto, é urgente estabelecermos uma pauta para a discussão no exercício dos mandatos que contarem com o nosso apoio, tais como a denúncia:
1 – do orçamento secreto e das emendas parlamentares, mecanismos que esvaziam o presidencialismo como sistema de governo e transforma o executivo no espaço do toma lá da cá das classes dominantes;
2 – da defesa intransigente das populações carcerárias formadas na sua imensa maioria por pobres e negros, submetidas – de um lado ao Estado Democrático de Direito da Burguesia; de outro, às organizações criminosas, a forma como a burguesia terceiriza e se torna sócia do crime;
3 – a defesa das reformas agrária e urbana que botem fim a estrutura fundiária gerada pela Lei da Terra, de 1.850.
Esta campanha deve ser um momento privilegiado de acúmulo de forças que prepare a LCB para as possibilidades e desafios que se abrirão com o esgotamento do Lulismo como corrente, até aqui, hegemônica na esquerda brasileira.
Liga Comunista Brasileira – LCB
16 de junho de 2026