Fale por você e por sua turma, ministro Múcio!
Por Amauri Soares – Dirigente da Liga Comunista Brasileira
Na última terça-feira, 4 de agosto, o ministro José Múcio, em um evento na Confederação Nacional da Indústria – CNI, quando perguntado, respondeu que “se os EUA invadirem o Brasil, a gente terá que abrir o portão”.
Tal declaração, vinda do ministro da defesa, mostra o desprezo pela soberania nacional que vem da classe dominante brasileira. Por certo, o ministro Múcio não fala só por ele, e sim por toda a mal chamada elite brasileira, e aí podemos incluir a maioria dos oficiais das forças armadas sustentadas pelo povo trabalhador brasileiro.
Múcio reclamava do baixo investimento em defesa por parte do governo federal, o que é uma constante também na boca dos comandantes, mesmo quando falam aqueles de pijama dos clubes militares.
De fato, 1% do orçamento pra defesa seria pouco, se de fato estivessem preocupados com a defesa da soberania nacional, e não estão! Historicamente, nossas forças armadas foram financiadas o suficiente para o luxo das cúpulas e para combater o “inimigo interno”, ou seja, o próprio povo e sua vanguarda que não aceita a sujeição do Brasil aos interesses do imperialismo.
A nossa classe dominante, agrária, industrial, comercial e financeira, em sua maioria, sempre aceitou ser uma sócia menor do imperialismo, e sempre preferiu isso ao invés de, junto com o próprio povo, construir aqui uma nação soberana, próspera e solidária. Os comandantes das forças armadas seguem alegremente essa linha, desde os tempos de Caxias. Precisou o governo dos EUA dizer de forma literal que o Brasil é inimigo deles (e eles sempre acharam isso de nós, embora não falassem tão abertamente), para alguns setores da classe dominante mostrarem alguma preocupação. Por isso Múcio foi perguntado sobre a reação do Brasil em caso de invasão militar dos Estados Unidos. Nem a classe dominante, nem os ministros da defesa e nem os oficiais generais tinham pensado seriamente nessa hipótese antes.
Essa indigência de patriotismo das cúpulas econômicas e militares está na raiz da nossa incapacidade em termos de defesa. Nunca defenderam forças armadas verdadeiramente robustas porque sempre viram os EUA como o “grande irmão” que nos defenderia nas grandes disputas internacionais. Eles não querem combater o inimigo externo, pois sempre tiveram como prioridade manter o povo alijado dos espaços de poder e do direito à vida digna. Basta o povo ter um verniz de dignidade, um governo que sente as dores do seu povo, e lá aparece essa mesma classe dominante e seus verdugos de farda a insinuar golpes. Tentaram muitas vezes, tendo conseguido em algumas delas.
Nos cabe informar ao ministro José Múcio e a sua patota de lambe botas imperialistas que, felizmente, o povo brasileiro é essencialmente diferente da classe que o explora e oprime. Em caso de invasão dos Estados Unidos ao território brasileiro, com certeza haverá gente do próprio povo para lutar, junto com os militares nacionalistas que, em menor número, ainda existem. Talvez esteja chegando o momento de separar os vendilhões da pátria e os covardes que os seguem dos verdadeiros filhos do povo brasileiro.
Liga Comunista Brasileira – LCB
06 de agosto de 2026