MANTER A MOBILIZAÇÃO PARA ENFRENTAR OS ATAQUES DA EXTREMA-DIREITA E DO IMPERIALISMO
A vitória de Lula no último domingo foi épica. Desde a redemocratização, nenhum candidato a presidente derrotado no primeiro turno conseguiu virar no segundo. Mas Lula conseguiu. E alcançou esse feito extraordinário graças a uma reação popular espontânea, iniciada com os estudantes do campus de Niterói da Universidade Federal Fluminense.
No dia seguinte após o anúncio da derrota no primeiro turno, saíram às ruas e mostraram seu inconformismo com a possibilidade de um notório miliciano assumir a presidência da República. Em poucos dias iniciativas semelhantes se espalharam pelo país. Das pequenas cidades às grandes metrópoles, milhões se manifestaram ao longo de três semanas. Na vanguarda dos protestos se destacaram a juventude e os setores mais esclarecidos da população. Seu instinto de classe as fez compreender os riscos de retrocesso político e social em caso de vitória do miliciano fujão e fascista. Frente a essa ameaça, colocaram-se em movimento, mostraram grande iniciativa e disposição política e obrigaram o comando de campanha de Lula a mudar de direção.
Ao longo desses dias ficou provada a importância das redes sociais como instrumento de informação e mobilização. A esquerda parece ter aprendido a ocupar as redes e fazer o algoritmo trabalhar a seu favor. Contudo, não foram as redes por si só as responsáveis em virar o jogo. Só houve rede porque houve rua. Sem mobilização não se gera conteúdo para abastecer as redes sociais.
O resultado de todo esse esforço coletivo de milhões de pessoas anônimas foi forte o suficiente para virar uma eleição dada como perdida. Lula diminuiu a diferença no Sul/Sudeste, aumentou essa diferença no Norte/Nordeste e virou sobre Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, estado fundamental para assegurar qualquer vitória em uma eleição presidencial. Milhões de pessoas atenderam e entenderam o apelo de impedir a vitória de um candidato presidencial miliciano, abertamente fascista e pró-imperialista.
Em seu conjunto nosso povo foi capaz, do Oiapoque ao Chuí, do litoral do Nordeste à vila mais distante no interior da Amazônia, de mostrar-se à altura do desafio imposto pelo momento histórico. Derrotamos a pressão do imperialismo, das big-techs e da extrema-direita. Somos, hoje, admirados por milhões de trabalhadores e trabalhadoras em outros países. O povo brasileiro, hoje, coloca-se na vanguarda da luta contra o imperialismo e a ameaça fascista. Demos um passo importante ao impor uma derrota eleitoral a essas forças retrógradas, anti-humanistas e antipatrióticas. Porém, não podemos descansar. A luta apenas começou. O imperialismo e a extrema-direita mostraram nessa eleição ainda possuir razoável reserva de apoio.
Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos e isso não pode ser subestimado. Mas também não podemos nos atemorizar. Se impusemos ao bolsonarismo uma derrota eleitoral, também podemos lhes impor uma derrota definitiva, que exige uma contínua mobilização popular. A extrema-direita, com força no Congresso, tentará destruir nossas conquistas, impedir nossos avanços e manter o governo acossado. O rentismo já exige o anúncio de cortes nos gastos públicos e quer no comando da economia um defensor da sua agenda anti-povo. Com a fuga de Flávio para os Estados Unidos, o imperialismo usará a desculpa da perseguição política para querer desestabilizar o nosso país.
O governo não pode ceder às pressões e chantagens de uma agenda antipopular e antinacional, sob o risco de criar enorme frustração em milhões que saíram às ruas. Caberá ao povo e aos trabalhadores, diante das pressões e ameaças, manterem-se mobilizados. A fantástica vitória eleitoral em 25 de outubro mostra que nosso povo é capaz de encarar e vencer o capital e o imperialismo.
À luta! A vitória será nossa!
Liga Comunista Brasileira
03/11/2026