A Independência do Brasil não foi uma luta pacífica e negociada, como nos fez crer por muito tempo a historiografia dominante. Não foi o grito de “Independência ou Morte”, bradado à beira de um riacho num rincão perdido do país, o responsável por garantir a quebra de nossa subordinação ao colonialismo português.
A consolidação da Independência foi alcançada em 2 de julho de 1823, na Bahia, na Batalha de Itaparica, com a expulsão das tropas portuguesas, estimadas em cerca de 10 mil soldados. Entre as lideranças dessa batalha se destaca Maria Felipa, descendente de pessoas escravizadas trazidas do Sudão. A narrativa oral transmitiu, como um dos feitos de Maria Felipa, ter comandado cerca de 200 combatentes formados por mulheres negras e indígenas tapuias e tupinambás, responsáveis por atacarem furtivamente navios portugueses postos fora de combate.
Esse destaque na presença popular, quando comparada ao movimento pela Independência no sul-sudeste, controlado pelas elites financeiras e agrárias, ganha relevância nas comemorações do 2 de julho em Salvador. Numa carroça antiga decorada com flores desfila a imagem do Caboclo e da Cabocla, ambos com indumentária indígena, para marcar a presença popular na luta pela Independência.
Monumento a Maria Felipa das artista plástica Nádia, Salvador/BA
Importante lembrar que na luta pela Independência travada na Bahia, além de Maria Felipa, outras mulheres cumpriram papel relevante. Dentre elas a religiosa Joana Angélica, assassinada ao impedir a entrada de tropas portuguesas no Convento da Lapa. Outra importante presença feminina foi de Maria Quitéria, que assumiu a identidade masculina para conseguir se alistar no Batalhão de Voluntários, o chamado Batalhão dos Periquitos.
Para quem quiser saber mais sobre a história dessa heroína brasileira indicamos o livro Maria Felipa de Oliveira: Heroína da Independência da Bahia, escrito por Eny Kleides Vasconcelos Faria e publicado pela editora Voante, em 2026. Indicamos, também, o documentário Maria Felipa, da série Narrando Mulheres, dirigido por Luciana Zule: https://www.youtube.com/watch?v=-xGWPLiGp_Q.
Liga Comunista Brasileira – LCB
02 de setembro de 2026