Em 2 de maio faleceu Raimundo Pereira, grande nome do jornalismo brasileiro.
Natural de Exu, Pernambuco, aos 3 anos emigrou com a família para o interior de São Paulo. Mesmo sem militância formal em uma organização de esquerda, com o golpe de 1964 é expulso do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica, onde estudava Engenharia. Logo depois da expulsão fica dois meses preso, passando no Deops de São Paulo e na Base Aérea de Guarujá.
Após ser libertado começa a estudar física na USP, mas foi no jornalismo que ele encontrou sua verdadeira vocação. Porém, a opção jornalística de Raimundo era pelos veículos alternativos.
Participou da fundação do jornal Opinião, mas ganhou imenso destaque no jornal Movimento. O periódico circulou entre 1975 e 1981, quando o fim da ditadura era uma questão de tempo, e muito contribuiu para incentivar o debate crítico sobre a realidade brasileira de então. O Movimento reunia grandes nomes do jornalismo e da intelectualidade brasileira, posicionando-se sempre em favor dos interesses populares contra os desmandos da ditadura e das classes dominantes.
Na década de 1980 foi redator-chefe da revista Retratos do Brasil, outro expoente do jornalismo investigativo e crítico. Na década de 1990, quando as reformas neoliberais se tornam a agenda hegemônica da grande burguesia brasileira, Raimundo inicia a publicação a revista Reportagem, cuja linha editorial mantém uma posição em apoio aos interesses do povo e do país.
A vida de Raimundo Pereira sempre foi de imenso compromisso com o povo brasileiro e pelo progresso social do Brasil. E de uma pessoa extremamente acolhedora e simpática com os mais jovens. Para aqueles que tem no ofício de escrever sua forma de se posicionar no mundo, Raimundo Pereira é um exemplo de como usar as palavras para defender as causas justas.
Liga Comunista Brasileira – LCB
07 de maio de 2026