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SOBERANIA SOB AMEAÇA - TRUMP PODE ATACAR O BRASIL

Após a vitória do candidato de extrema-direita na eleição presidencial colombiana, Donald Trump declarou ser a eleição brasileira de outubro seu próximo desafio. Para alcança-lo, os Estados Unidos se utilizará de sua poderosa rede de aliados formada pelas big-techs, pelo Estado sionista de Israel e por governos latino-americanos submissos aos seus interesses, planeja uma intervenção em nossa eleição presidencial. Na visão do trumpismo, ganhar a presidência do Brasil através de Flávio Bolsonaro é fundamental no projeto imperialista dos Estados Unidos, de reforçar o controle total da América Latina como sua maior reserva estratégica para enfrentar a concorrência chinesa e russa.

Mas essa interferência vai além do uso de tecnologias modernas para influenciar o eleitorado ou interferir no próprio sistema de contagem de votos. A intervenção em nossos assuntos domésticos já está em curso, com a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Muito longe de qualquer intenção em combater o crime organizado, o objetivo de Trump é atingir interesses econômicos brasileiros pelo recurso a medidas unilaterais e extraterritoriais. Pretende-se utilizar uma suposta ligação de qualquer cidadão brasileiro com essas “organizações terroristas” para interferir em nossos assuntos internos.

Outro risco é o de o governo dos Estados Unidos realizar ataques militares em território brasileiro, sob a justificativa de atacar bases terroristas. Essa ameaça não é teoria da conspiração. Ela foi apontada pelo próprio chanceler brasileiro Mauro Vieira, cuja reputação moderada e conciliadora, própria da política externa brasileira, distancia-o de qualquer visão anti-imperialista. Interpelado pela Câmara dos Deputados, o Itamaraty alertou sobre a possibilidade real de os Estados Unidos realizarem ações militares em território brasileiro. Em nossa opinião, essas ações militares podem ocorrer em breve, como parte de uma campanha de desestabilização política movida pelos Estados Unidos com vistas a coagir e influenciar o eleitorado.

Essas ponderações servem para tirar a esquerda brasileira da ilusão de que a vitória de Lula em outubro está assegurada. Os riscos ainda são imensos e não se pode distrair a atenção com as brigas entre Michele e os filhos de Bolsonaro. As sobretaxas aplicadas por Trump aos produtos brasileiros, e seus ataques ao Pix para favorecer os cartões de crédito estadunidenses, torna-o ainda mais impopular no seio do povo. E essa impopularidade contamina quem, aqui no Brasil, posiciona-se ao lado de Trump contra o Brasil. Mas, ainda assim, setores produtivos e sociais com laços econômicos e adesão ideológica aos valores imperialistas estadunidenses, mantém relativa força e age como cabeça-de-ponte de Trump no Brasil.

A derrota dessa ameaça de recolonização do Brasil passa pela derrota eleitoral do bolsonarismo em outubro. Mas não se esgota nela. É preciso retomar a organização e luta das massas trabalhadoras para afastar esse risco imediato e abrir caminho para transformações sociais, econômicas e políticas profundas orientadas para a construção do socialismo em nosso país.

Liga Comunista Brasileira – LCB

16 de julho de 2026